Pré-eclâmpsia Grave: Diagnóstico e Manejo Urgente

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020

Enunciado

Primigesta, com 35 semanas e 3 dias de gestação estimada por data da última menstruação e ultrassonografia de primeiro trimestre, chega à emergência referindo cefaleia occipital, escotomas e epigastralgia intensa com náuseas e vômitos. Nega contrações e perdas vaginais. Familiar relata que o pré-natal foi sem anormalidades, com a realização de 5 consultas na UBS e que a paciente nunca teve pressão alta. Ao exame, apresenta pressão arterial de 170/110 mmHg, altura uterina de 31 cm, tônus uterino normal, ausência de contrações, batimentos cardiofetais de 148 bpm, edema pronunciado de face e de membros inferiores. Em relação a essa paciente, analise as afirmativas a seguir.I. Há indicação de terapia preventiva anticonvulsivante com sulfato de magnésio e conduta antihipertensiva com hidralazina endovenosa ou nifedipina via oral.II. Há indicação de administração de betametasona IM por 48h e de tratamento da crise hipertensiva com metildopa por via oral.III. Por se tratar de pré-eclâmpsia grave, está indicada a interrupção da gestação.IV. A paciente tem baixo risco de recorrência de pré-eclâmpsia em gestação futura.Das afirmativas, estão corretas

Alternativas

  1. A) III e IV.
  2. B) I e II.
  3. C) I e III.
  4. D) II e IV.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave (PA ≥160/110 + sintomas/disfunção) → Sulfato de Mg, anti-hipertensivos e interrupção da gestação.

Resumo-Chave

A paciente apresenta pré-eclâmpsia grave devido à hipertensão (PA 170/110 mmHg) e sintomas como cefaleia, escotomas e epigastralgia. A conduta inclui terapia anticonvulsivante com sulfato de magnésio, controle da pressão arterial com hidralazina ou nifedipina, e interrupção da gestação, especialmente após 34 semanas, devido à gravidade do quadro.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação. A forma grave é definida pela presença de pressão arterial muito elevada (≥160/110 mmHg) e/ou sintomas de disfunção de órgão-alvo materno, como cefaleia, escotomas, epigastralgia, alterações hepáticas, renais ou hematológicas. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal, exigindo reconhecimento e manejo rápidos. A fisiopatologia envolve uma placentação anormal que leva à disfunção endotelial sistêmica, resultando em vasoconstrição generalizada, aumento da permeabilidade capilar e ativação plaquetária. Os sintomas como cefaleia e escotomas refletem o comprometimento cerebral, enquanto a epigastralgia pode indicar isquemia hepática. O diagnóstico é clínico e laboratorial. A paciente do caso apresenta PA elevada e sintomas clássicos de gravidade, indicando a necessidade de intervenção imediata. O manejo da pré-eclâmpsia grave inclui a prevenção de convulsões com sulfato de magnésio, o controle da pressão arterial com anti-hipertensivos (hidralazina EV, nifedipina VO, labetalol EV) e, crucialmente, a interrupção da gestação, que é o único tratamento definitivo. Em gestações acima de 34 semanas, a interrupção é geralmente a conduta. Abaixo de 34 semanas, pode-se considerar a administração de corticoides para maturidade pulmonar fetal antes da interrupção, se a condição materna permitir. O risco de recorrência em gestações futuras é alto.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnóstico de pré-eclâmpsia grave?

A pré-eclâmpsia grave é diagnosticada pela presença de hipertensão (PA sistólica ≥160 mmHg ou diastólica ≥110 mmHg) e um ou mais dos seguintes: cefaleia persistente, distúrbios visuais (escotomas), dor epigástrica ou em QSD, edema pulmonar, disfunção hepática, plaquetopenia ou insuficiência renal.

Qual a conduta inicial para uma crise hipertensiva na pré-eclâmpsia grave?

A conduta inicial para uma crise hipertensiva na pré-eclâmpsia grave inclui o uso de anti-hipertensivos intravenosos como hidralazina ou labetalol, ou nifedipina oral. O objetivo é reduzir a PA de forma controlada para evitar complicações maternas e fetais, mantendo a perfusão placentária.

Quando está indicada a interrupção da gestação na pré-eclâmpsia grave?

A interrupção da gestação está indicada em todos os casos de pré-eclâmpsia grave a partir de 34 semanas. Antes de 34 semanas, pode-se considerar a conduta expectante em casos selecionados, mas a presença de sintomas graves ou deterioração materna/fetal geralmente exige a interrupção imediata, após estabilização materna e, se possível, indução da maturidade pulmonar fetal.

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