Pré-eclâmpsia Grave: Manejo e Resolução da Gestação

HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2020

Enunciado

Gestante de 19 anos de idade, G1P0, IG 36 semanas, pré-natal sem intercorrências, compareceu a consulta habitual. Ao aferir sinais vitais durante triagem, apresentou PA = 164 mmHg x 112 mmHg. Após cinco minutos, foi aferida novamente com PA = 160 mmHg x 80 mmHg. Então, a unidade básica de saúde encaminhou a paciente imediatamente para o hospital. Ao chegar, ela queixou-se de cefaleia occipital, escotomas e epigastralgia e, após avaliação inicial, manteve PA = 170 mmHg x 100 mmHg, e foram solicitados exames que evidenciaram proteinúria 3+/4+, creatinina = 1,3 mg/dL e os demais exames dentro dos padrões da normalidade. A respeito desse caso clínico, em relação ao diagnóstico, assinale a alternativa correta. Assinale a alternativa que corresponde à propedêutica obstétrica mais adequada para o caso.

Alternativas

  1. A) Ministrar anti-hipertensivo; se PA diminuir para PAS < 140 mmHg e PAD < 90 mmHg, a paciente pode ser liberada para retorno em consulta pré-natal.
  2. B) Ministrar anti-hipertensivo, sulfato de magnésio e resolução da gestação após estabilização da paciente, preferencialmente por indução do trabalho de parto.
  3. C) Ministrar anti-hipertensivo e programar resolução da gestação com 40 semanas.
  4. D) Ministrar anti-hipertensivo e programar resolução da gestação por cesariana com 37 semanas.
  5. E) Ministrar sulfato de magnésio e, em caso de diminuição da PA e remissão dos sintomas, programar resolução da gestação para 37 semanas por cesariana.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave (36s) → anti-hipertensivo, sulfato de magnésio, resolução da gestação (indução).

Resumo-Chave

A paciente apresenta critérios de pré-eclâmpsia grave (PA ≥ 160/110 mmHg, sintomas como cefaleia/escotomas/epigastralgia, proteinúria e disfunção orgânica - creatinina elevada). Em gestação a termo (36 semanas), a conduta é estabilização materna com anti-hipertensivos e sulfato de magnésio, seguida da resolução da gestação.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia grave é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão arterial e proteinúria, ou disfunção de órgãos-alvo, que se manifesta após a 20ª semana de gestação. Sua importância clínica reside no alto risco de morbimortalidade materna e perinatal, sendo uma das principais causas de óbito materno no Brasil. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para um desfecho favorável. A fisiopatologia envolve uma placentação anormal que leva à disfunção endotelial sistêmica, resultando em vasoconstrição, aumento da permeabilidade vascular e ativação plaquetária. Os sinais e sintomas incluem hipertensão (PA ≥ 160/110 mmHg), proteinúria, cefaleia, escotomas, dor epigástrica, e sinais laboratoriais de disfunção renal (creatinina elevada), hepática ou hematológica. A suspeita deve ser alta em qualquer gestante com hipertensão e sintomas associados. O tratamento da pré-eclâmpsia grave em gestações a termo (≥ 34 semanas) ou com maturidade pulmonar fetal confirmada é a resolução da gestação, após estabilização materna. Isso inclui o controle da pressão arterial com anti-hipertensivos (ex: hidralazina, labetalol) e a profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio. A via de parto preferencial é a indução do trabalho de parto, desde que não haja contraindicações obstétricas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia grave?

Os critérios incluem pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, proteinúria significativa, e/ou sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica, além de sinais de disfunção de órgãos-alvo (creatinina elevada, plaquetopenia, enzimas hepáticas elevadas, edema pulmonar).

Qual o papel do sulfato de magnésio no manejo da pré-eclâmpsia grave?

O sulfato de magnésio é a droga de escolha para a prevenção e tratamento de convulsões (eclâmpsia) em pacientes com pré-eclâmpsia grave, agindo como um neuroprotetor.

Por que a resolução da gestação é a conduta definitiva na pré-eclâmpsia grave?

A pré-eclâmpsia é uma doença da placenta, e a única "cura" é a remoção da placenta, ou seja, o parto. A resolução da gestação é essencial para evitar a progressão da doença e suas complicações maternas e fetais.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo