Pré-eclâmpsia Grave: Manejo Inicial e Sulfato de Magnésio

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente primigesta de 30 anos de idade com 38 semanas de gestação procura a emergência obstétrica referindo cefaleia e epigastralgia. Refere que, na última consulta de pré-natal, realizada há dois dias, estava um pouco hipertensa e que foi solicitado exame de urina, que ficou pronto hoje, para verificar a relação proteinúria/creatininúria, com resultado 0,4. Refere ter tido prénatal sem intercorrências até então. Nega doenças crônicas, tabagismo e uso de medicações além de sulfato ferroso, de que faz uso no momento. Ao exame, pressão arterial de 150/100 mmHg, altura uterina de 34 cm, bcf de 145 bpm, tônus uterino normal e ausência de dinâmica uterina. Qual é a primeira conduta que deve ser tomada nesse caso?

Alternativas

  1. A) Realizar cesariana.
  2. B) Avaliar vitalidade fetal e induzir o parto.
  3. C) Administrar dose de ataque de sulfato de magnésio por via intravenosa.
  4. D) Rastrear síndrome HELLP.
  5. E) Administrar nifedipina por via oral.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave (PA ≥ 160/110 ou sintomas) → Sulfato de magnésio para profilaxia de convulsão.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais e sintomas de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (cefaleia, epigastralgia, PA 150/100 mmHg, proteinúria). A primeira conduta em casos de pré-eclâmpsia grave ou com sinais de iminência de eclâmpsia é a administração de sulfato de magnésio para profilaxia de convulsões, sendo esta a prioridade antes mesmo da interrupção da gestação ou controle pressórico.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica de etiologia desconhecida, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação, ou hipertensão com disfunção de órgão-alvo. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. A paciente do caso apresenta sinais e sintomas de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, como cefaleia e epigastralgia, além de uma relação proteinúria/creatininúria de 0,4 (indicando proteinúria significativa, pois >0,3 é considerado patológico) e pressão arterial elevada. A classificação de pré-eclâmpsia grave é crucial para o manejo. Sinais de gravidade incluem PA ≥ 160/110 mmHg, sintomas neurológicos (cefaleia, distúrbios visuais), dor epigástrica/hipocôndrio direito, edema pulmonar, oligúria, plaquetopenia, elevação de transaminases ou creatinina sérica. Diante de um quadro de pré-eclâmpsia grave ou com iminência de eclâmpsia, a prioridade máxima é a prevenção de convulsões. O sulfato de magnésio é o agente de escolha para a profilaxia e tratamento da eclâmpsia, com evidências robustas de sua eficácia. A dose de ataque intravenosa deve ser administrada prontamente para atingir níveis terapêuticos rapidamente. Embora a interrupção da gestação seja o tratamento definitivo para a pré-eclâmpsia, a estabilização materna e a prevenção de convulsões precedem a decisão sobre o parto, especialmente em gestações a termo ou próximo ao termo. O controle pressórico com anti-hipertensivos orais ou intravenosos também é importante, mas secundário à profilaxia da eclâmpsia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnóstico de pré-eclâmpsia grave?

Pré-eclâmpsia grave é diagnosticada por pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, ou pela presença de sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica/hipocôndrio direito, edema pulmonar, oligúria, ou alterações laboratoriais como plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas ou creatinina.

Por que o sulfato de magnésio é a primeira conduta na pré-eclâmpsia grave?

O sulfato de magnésio é a droga de escolha para a profilaxia e tratamento de convulsões eclâmpticas. Ele atua como um neuroprotetor, reduzindo a excitabilidade neuronal e o risco de eclâmpsia, uma complicação grave e potencialmente fatal.

Quais são os sinais de toxicidade por sulfato de magnésio?

Os principais sinais de toxicidade incluem depressão dos reflexos tendinosos profundos (primeiro sinal), depressão respiratória, oligúria e parada cardíaca. O antídoto é o gluconato de cálcio.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo