Pré-eclâmpsia Grave: Manejo e Prevenção de Eclâmpsia

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Primigesta, 40 anos, 32 semanas, vai ao pronto-socorro com quadro de cefaleia, náuseas e fotofobia com turvação visual. Ao exame: PA 150 x 100, 148bpm, tônus uterino normal. Assinale a alternativa que indica corretamente a conduta inicial a ser adotada.

Alternativas

  1. A) internação e solicitação de tomografia computadorizada de crânio para afastar causa neurológica
  2. B) iniciar analgesia e observar. Se houver melhora do quadro, dar alta com orientações sobre enxaqueca.
  3. C) internação hospitalar, iniciar nifedipina e solicitar exames para afastar síndrome hellp
  4. D) manter em decúbito lateral esquerdo por 1 hora para nova avaliação de hipertensão e a partir daí decidir por internação
  5. E) internação e iniciar sulfato de magnésio para estabilização

Pérola Clínica

Primigesta 32s + PA ≥ 140/90 + sintomas neurológicos/visuais = Pré-eclâmpsia grave → Sulfato de Magnésio.

Resumo-Chave

A primigesta com 32 semanas, hipertensão (PA 150x100) e sintomas como cefaleia, náuseas, fotofobia e turvação visual apresenta um quadro de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. A conduta inicial essencial é a internação hospitalar e o início do sulfato de magnésio para prevenção de convulsões (eclâmpsia), além da avaliação da vitalidade fetal e exames laboratoriais para descartar complicações como a Síndrome HELLP.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma condição hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg após 20 semanas de gestação em mulher previamente normotensa) e proteinúria significativa, ou hipertensão com sinais de disfunção de órgão-alvo na ausência de proteinúria. A pré-eclâmpsia grave é uma forma mais severa, com risco aumentado de complicações maternas e fetais, incluindo eclâmpsia, Síndrome HELLP, descolamento prematuro de placenta e restrição de crescimento intrauterino. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve uma placentação anormal que leva à disfunção endotelial sistêmica, resultando em vasoconstrição generalizada, aumento da permeabilidade vascular e ativação plaquetária. Os sintomas como cefaleia, náuseas, fotofobia e turvação visual são indicativos de disfunção de órgão-alvo, particularmente cerebral e ocular, e são sinais premonitórios de eclâmpsia, uma emergência obstétrica que exige intervenção imediata. A conduta inicial para pré-eclâmpsia grave inclui internação hospitalar para monitorização intensiva da mãe e do feto. O sulfato de magnésio é a pedra angular do tratamento para prevenção e controle das convulsões eclâmpticas. Além disso, é fundamental o controle da pressão arterial com anti-hipertensivos (ex: hidralazina, labetalol, nifedipina), a solicitação de exames laboratoriais para avaliar a extensão da disfunção orgânica (hemograma, função hepática e renal, DHL) e a avaliação da vitalidade fetal. A resolução definitiva da pré-eclâmpsia é o parto, que deve ser considerado dependendo da idade gestacional e da gravidade do quadro.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnóstico de pré-eclâmpsia grave?

Pré-eclâmpsia grave é diagnosticada por PA ≥ 160/110 mmHg ou PA ≥ 140/90 mmHg com sintomas graves (cefaleia, distúrbios visuais, dor epigástrica, oligúria, edema pulmonar) ou achados laboratoriais alterados (plaquetopenia, elevação de transaminases, creatinina).

Por que o sulfato de magnésio é usado na pré-eclâmpsia grave?

O sulfato de magnésio é a medicação de escolha para a prevenção e tratamento das convulsões eclâmpticas, agindo como um anticonvulsivante e neuroprotetor.

Quais exames devem ser solicitados em caso de pré-eclâmpsia grave?

Devem ser solicitados hemograma completo (com plaquetas), função renal (creatinina, ácido úrico), função hepática (transaminases, DHL), proteinúria de 24 horas ou relação proteína/creatinina, e avaliação da vitalidade fetal.

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