Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020
Uma primigesta de dezoito anos de idade, negra, com 37 semanas e três dias de gravidez, chegou ao pronto-socorro com queixa de dor epigástrica e escotomas. Na triagem, foram verificadas pressão arterial de 170 x 110 mmHg e frequência cardíaca fetal de 140 bpm, com variabilidade presente e aparentemente normal. Há apenas uma técnica de enfermagem e ela não consegue atender a todas as solicitações ao mesmo tempo. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a primeira conduta que ela deverá adotar.
Pré-eclâmpsia grave com sintomas neurológicos/epigástricos → Sulfato de Magnésio (dose de ataque) para profilaxia de convulsão.
A dor epigástrica e os escotomas são sintomas de iminência de eclâmpsia, indicando disfunção de órgãos-alvo. A primeira e mais crucial conduta é a profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio, mesmo antes do controle pressórico ou exames, devido ao risco iminente de convulsão.
A pré-eclâmpsia grave é uma condição hipertensiva da gravidez que pode evoluir rapidamente para eclâmpsia, uma emergência obstétrica caracterizada por convulsões. Atinge cerca de 2-8% das gestações e é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. O reconhecimento precoce dos sinais de gravidade e iminência de eclâmpsia é crucial para a intervenção oportuna e desfechos favoráveis. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial generalizada, levando a vasoconstrição, aumento da permeabilidade vascular e ativação plaquetária. Os sintomas como dor epigástrica e escotomas indicam disfunção de órgãos-alvo (fígado e sistema nervoso central, respectivamente) e são alertas para o risco iminente de convulsão. O tratamento da pré-eclâmpsia grave visa prevenir convulsões, controlar a pressão arterial e, se necessário, interromper a gestação. A administração de sulfato de magnésio em dose de ataque é a primeira e mais importante medida para profilaxia de convulsões, mesmo antes do controle pressórico. O controle da pressão arterial com anti-hipertensivos intravenosos (ex: hidralazina, labetalol) deve ser iniciado após ou concomitantemente à dose de ataque de magnésio. A interrupção da gestação é a cura definitiva, mas a estabilização materna é prioritária.
Sinais de iminência de eclâmpsia incluem cefaleia persistente, distúrbios visuais (escotomas, diplopia), dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, hiperreflexia e edema pulmonar. Indicam risco elevado de convulsão.
A dose de ataque padrão do sulfato de magnésio é de 4 a 6 gramas IV em 15 a 20 minutos, seguida por uma dose de manutenção de 1 a 2 gramas/hora. É crucial monitorar os reflexos patelares e a diurese.
O sulfato de magnésio é a primeira conduta porque é o único medicamento comprovadamente eficaz na prevenção e tratamento das convulsões eclâmpticas, reduzindo significativamente a morbimortalidade materna e fetal. Sua ação anticonvulsivante é prioritária.
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