Pré-Eclâmpsia Grave: Manejo e Interrupção da Gravidez

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2024

Enunciado

Primigesta, 17 anos, internada com 36 semanas de gestação, com queixa de cefaléia e turvação visual. Ao exame: PA= 170x120mmHg; BCF= 136bpm; AU= 35cm; apresenta uma contração a cada 10 min, de 30 segundos; colo uterino com dilatação de 2cm, 50% apagado; apresentação cefálica, em occipto esquerda anterior no plano 0 de De Lee; bolsa íntegra. De acordo com o quadro clínico, a conduta recomendada é

Alternativas

  1. A) administrar Metildopa para controle da pressão arterial e induzir o parto.
  2. B) tratar a iminência de eclâmpsia e deve-se realizar cesariana imediatamente.
  3. C) administrar gluconato de cálcio endovenoso para controle da pressão arterial.
  4. D) administrar Sulfato de magnésio, Hidralazina endovenosa e programar a interrupção da gravidez, após estabilizar o quadro.
  5. E) administrar Nifedipina via oral para controle da pressão arterial e realizar cesariana, após melhora da PA.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave/iminência de eclâmpsia: Sulfato de Mg (prevenção convulsão), Hidralazina EV (crise hipertensiva) e interrupção da gravidez.

Resumo-Chave

O quadro clínico de cefaleia, turvação visual e PA elevada em primigesta de 36 semanas indica pré-eclâmpsia grave ou iminência de eclâmpsia. A conduta imediata envolve a prevenção de convulsões com sulfato de magnésio, controle da crise hipertensiva com anti-hipertensivos endovenosos (como hidralazina) e a interrupção da gravidez após estabilização materna.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia grave e a iminência de eclâmpsia representam emergências obstétricas que exigem reconhecimento e manejo rápidos para prevenir morbidade e mortalidade materna e perinatal. A condição é caracterizada por hipertensão arterial e proteinúria após 20 semanas de gestação, com a forma grave apresentando sintomas como cefaleia, turvação visual, dor epigástrica, entre outros, e níveis pressóricos muito elevados. O manejo da pré-eclâmpsia grave e iminência de eclâmpsia envolve três pilares principais: controle da pressão arterial, profilaxia ou tratamento das convulsões e interrupção da gravidez. Para o controle da pressão arterial em crises hipertensivas, medicamentos como a hidralazina endovenosa são preferidos. A metildopa é um anti-hipertensivo oral para uso crônico, não para crises. A profilaxia das convulsões é feita com sulfato de magnésio, que é a droga de escolha e deve ser iniciada prontamente. A interrupção da gravidez é a medida definitiva para resolver a doença. Em gestações a termo ou próximo ao termo (como 36 semanas), após a estabilização do quadro materno, o parto deve ser programado, preferencialmente por via vaginal se as condições forem favoráveis, ou cesariana se houver indicação obstétrica. A nifedipina oral pode ser usada para controle pressórico, mas a hidralazina EV é mais comum em crises.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de iminência de eclâmpsia?

Os sinais e sintomas de iminência de eclâmpsia incluem cefaleia persistente, distúrbios visuais (turvação, escotomas), dor epigástrica ou no quadrante superior direito, hiperreflexia e, em casos mais graves, edema pulmonar ou oligúria.

Qual o papel do sulfato de magnésio na pré-eclâmpsia grave?

O sulfato de magnésio é a droga de escolha para a profilaxia e tratamento das convulsões em pacientes com pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia. Ele atua como um anticonvulsivante, reduzindo a excitabilidade neuronal.

Quando a interrupção da gravidez é indicada na pré-eclâmpsia grave?

A interrupção da gravidez é a única cura definitiva para a pré-eclâmpsia. Em casos de pré-eclâmpsia grave, especialmente após 34 semanas de gestação, a interrupção é indicada após a estabilização do quadro materno, visando prevenir complicações graves.

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