Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020
Mulher de 26 anos, com 2 partos vaginais há 6 e 3 anos e que está com o atual companheiro há 1 ano e agora grávida de 8 meses (35 semanas), foi internada com queixas de cefaleia e escotomas que apareceram há 4 horas. No exame de admissão, a PA era de 160 x 100 mmHg, pulso de 88 bpm, edema ++ de MMII, a altura do útero era de 33 cm, apresentação cefálica, dorso à esquerda e a FCF de 136 bpm. Toque colo fechado. A conduta é:
Gestante com PA ≥ 160x110 mmHg + sintomas (cefaleia, escotomas) = Pré-eclâmpsia grave → Sulfato de Magnésio.
A gestante apresenta critérios de pré-eclâmpsia grave (PA ≥ 160x110 mmHg e sintomas como cefaleia e escotomas). A conduta inicial é a profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio, independentemente da paridade, para evitar a progressão para eclâmpsia.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica de etiologia desconhecida, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação, parto ou puerpério. A pré-eclâmpsia grave é uma forma mais severa, com risco aumentado de complicações maternas e fetais, sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna globalmente. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial generalizada e vasoconstrição, levando a danos em múltiplos órgãos. Os sintomas como cefaleia e escotomas indicam comprometimento do sistema nervoso central e são sinais de iminência de eclâmpsia. O diagnóstico é clínico, baseado nos níveis pressóricos e na presença de sintomas ou disfunção orgânica. O manejo da pré-eclâmpsia grave visa prevenir a eclâmpsia e outras complicações, estabilizar a mãe e, quando indicado, realizar o parto. O sulfato de magnésio é a pedra angular da profilaxia e tratamento das convulsões. O controle da pressão arterial é feito com anti-hipertensivos seguros na gestação. A decisão do momento do parto é crucial e depende da idade gestacional e da resposta ao tratamento, buscando o equilíbrio entre a maturação fetal e a segurança materna.
A pré-eclâmpsia grave é diagnosticada pela pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg em duas ocasiões, com intervalo de 15 minutos, e/ou presença de sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais (escotomas), dor epigástrica, oligúria, edema pulmonar ou alterações laboratoriais.
O sulfato de magnésio é o fármaco de escolha para a profilaxia e tratamento das convulsões eclâmpticas. Ele atua como um anticonvulsivante central, reduzindo a excitabilidade neuronal e a vasoconstrição cerebral, prevenindo a progressão para eclâmpsia.
A conduta inicial inclui internação hospitalar, monitoramento materno-fetal rigoroso, administração de sulfato de magnésio para profilaxia de convulsões e controle da pressão arterial com anti-hipertensivos como hidralazina ou nifedipina. A decisão sobre o parto deve ser individualizada, considerando a idade gestacional e a gravidade do quadro.
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