FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023
Primigesta, com 40 anos, preta, casada, com gestação de 33 semanas e 2 dias, procura o pronto-socorro com queixa de escotomas há 40 minutos. Nega episódio anterior. Refere aumento de peso de 5 kg em uma semana, com edema de membros inferiores, mãos e face. Nega cefaleia, epigastralgia e perdas vaginais. Nega comorbidades prévias. Ao exame clínico, PA 150 x 100 mmHg, AU 27 cm, Bcf 144, DU ausente, edema de mmii 3+/4+. Em relação ao uso de sulfato de magnésio para essa paciente, é correto afirmar que
Em pré-eclâmpsia grave com iminência de eclâmpsia, o sulfato de magnésio deve ser iniciado prontamente, sem aguardar resultados laboratoriais.
A presença de sinais de gravidade na pré-eclâmpsia, como escotomas, justifica o início imediato do sulfato de magnésio para profilaxia de convulsão. Embora os exames laboratoriais sejam cruciais para o diagnóstico completo e monitoramento, sua coleta não deve atrasar a administração da medicação em situações de urgência, priorizando a segurança materna.
A pré-eclâmpsia é uma condição hipertensiva específica da gestação que pode evoluir para formas graves e eclâmpsia, uma emergência obstétrica com alto risco de morbimortalidade materna e fetal. O diagnóstico de pré-eclâmpsia grave é feito pela presença de hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg após 20 semanas) associada a proteinúria e/ou sinais de disfunção de órgão-alvo, como distúrbios visuais (escotomas), cefaleia persistente, dor epigástrica, plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas, insuficiência renal ou edema pulmonar. A paciente do caso apresenta PA 150x100 mmHg e escotomas, o que configura pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (iminência de eclâmpsia). Nesses casos, a profilaxia de convulsão com sulfato de magnésio é mandatória e deve ser iniciada o mais rápido possível. A urgência da situação significa que a administração do sulfato de magnésio não deve ser atrasada pela espera de resultados de exames laboratoriais, como a proteinúria de 24 horas ou outros marcadores de disfunção orgânica. Embora os exames laboratoriais (hemograma, função renal, função hepática, coagulograma, proteinúria) sejam essenciais para o diagnóstico completo, monitoramento da doença e avaliação de complicações, eles devem ser coletados concomitantemente ao início do tratamento, e não como pré-requisito para a primeira dose do sulfato de magnésio. A prioridade é a segurança materna, prevenindo a ocorrência de convulsões que podem ser fatais. O residente deve estar apto a reconhecer rapidamente os sinais de gravidade e iniciar a conduta adequada sem hesitação.
Sinais de gravidade incluem pressão arterial ≥ 160/110 mmHg, cefaleia persistente, distúrbios visuais (escotomas, diplopia), dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, oligúria, edema pulmonar, e alterações laboratoriais como plaquetopenia ou elevação de enzimas hepáticas.
O sulfato de magnésio é o fármaco de escolha para a profilaxia e tratamento das convulsões eclâmpticas. Ele atua como um anticonvulsivante e neuroprotetor, reduzindo a excitabilidade neuronal e o risco de progressão para eclâmpsia.
Não. Em casos de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, o diagnóstico é clínico e o tratamento (incluindo sulfato de magnésio) deve ser iniciado imediatamente, sem aguardar resultados de exames como a proteinúria de 24 horas, que podem atrasar a conduta vital.
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