Pré-eclâmpsia Grave: Doppler Fetal e Momento da Interrupção

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2021

Enunciado

A.L.S., 24 anos, GII PI 1N A0, IG (USG precoce): 28 semanas e 6 dias, deu entrada no PSGO com PA 160 x 100 mmHg, sem sintomas de iminência de eclâmpsia. Em uso de metildopa 2 g/dia e anlodipino 10 mg/dia. Proteinúria de 24h: 6,5 g, demais rotina DHEG: sem alterações. Submetida a ultrassom obstétrico com Doppler: peso fetal no percentil 3, ILA normal. A respeito do caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Interrompe-se a gestação por pico pressórico de 160 x 100 mmHg.
  2. B) Sulfata-se a paciente para evitar danos cerebrais, por PA elevada.
  3. C) Se a dopplervelocimetria fetal evidenciar diástole zero na artéria umbilical, acompanha-se o ducto venoso até IG: 34 semanas.
  4. D) Se a dopplervelocimetria fetal evidenciar diástole reversa na artéria umbilical, mesmo com cardiotocografia sem desacelerações, interrompe-se a gestação imediatamente, independente do ducto venoso.
  5. E) Se IP da artéria umbilical no p 95; perfil biofísico fetal 10/10, pode-se acompanhar a gestação até IG 40 semanas.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave + RCF + Diástole zero na A. Umbilical → Monitorar Ducto Venoso para decisão de interrupção.

Resumo-Chave

Em casos de pré-eclâmpsia grave com restrição de crescimento fetal e diástole zero na artéria umbilical, o monitoramento do ducto venoso é crucial. A presença de diástole zero indica comprometimento placentário significativo, mas a avaliação do ducto venoso ajuda a determinar o momento ideal para a interrupção, buscando prolongar a gestação até a viabilidade pulmonar sem comprometer a vitalidade fetal.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia grave, especialmente quando associada à restrição de crescimento fetal (RCF), representa um desafio significativo na obstetrícia. O manejo visa equilibrar a prolongação da gestação para a maturação fetal com a prevenção de complicações maternas e fetais graves. O monitoramento fetal intensivo, incluindo a dopplervelocimetria, é fundamental para guiar as decisões clínicas. A dopplervelocimetria da artéria umbilical é um dos principais parâmetros para avaliar a perfusão placentária. A presença de diástole zero ou reversa na artéria umbilical indica um aumento crítico da resistência vascular placentária e um risco elevado de hipóxia fetal. No entanto, a diástole zero por si só não implica interrupção imediata, especialmente em idades gestacionais prematuras. Nesses cenários, o monitoramento de outros vasos, como o ducto venoso, torna-se crucial. O ducto venoso reflete a função cardíaca fetal e a oxigenação cerebral. Alterações no fluxo do ducto venoso (como aumento da pulsatilidade ou fluxo reverso) são sinais de descompensação fetal avançada e indicam a necessidade de interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, para evitar óbito fetal. A conduta é individualizada, buscando o melhor momento para o parto, considerando a idade gestacional, a gravidade da doença materna e o grau de comprometimento fetal.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da diástole zero na artéria umbilical em pré-eclâmpsia com RCF?

A diástole zero indica um aumento significativo da resistência vascular placentária, refletindo um comprometimento placentário grave e risco aumentado de hipóxia fetal. É um sinal de alerta para o bem-estar fetal.

Como o Doppler do ducto venoso auxilia na conduta?

O ducto venoso é um marcador mais tardio de descompensação fetal. Alterações em seu fluxo (como aumento da pulsatilidade ou fluxo reverso) indicam sofrimento fetal avançado e a necessidade de interrupção imediata da gestação, mesmo em idades gestacionais mais precoces.

Quando se considera a interrupção da gestação em casos de pré-eclâmpsia grave com RCF?

A interrupção é indicada em casos de descompensação materna ou fetal. A idade gestacional e os achados do Doppler (artéria umbilical, artéria cerebral média, ducto venoso) guiam a decisão, buscando o equilíbrio entre a maturação fetal e a segurança materna e fetal.

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