UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015
Júlia, 38 anos, primigesta, 39 semanas de gestação, chega ao pronto-socorro com queixa de dor em baixo ventre associado à cefaleia, epigastralgia e escotomas. Fazia uso de medicação anti-hipertensiva metildopa 2 g/dia. Ao exame físico: PA = 180 x 120 mmHg; FC = 84 bpm; auscultas respiratória e cardíaca sem alterações; edema em membros inferiores 3+/4+ e, em face, dinâmica uterina ausente; BCF = 150 bpm. Toque vaginal: colo fechado, grosso, posterior, bolsa íntegra. Assinale a alternativa CORRETA:
Pré-eclâmpsia grave: PA ≥160/110 + sintomas (cefaleia, epigastralgia, escotomas) ou lesão órgão-alvo.
O quadro de Júlia é uma emergência hipertensiva na gestação, caracterizando pré-eclâmpsia grave ou iminência de eclâmpsia. A glomeruloendoteliose é a lesão renal patognomônica da pré-eclâmpsia, levando à proteinúria e edema.
A pré-eclâmpsia é uma condição hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação. A forma grave, como apresentada por Júlia, é uma emergência obstétrica que exige intervenção imediata devido ao risco de complicações maternas e fetais, incluindo eclâmpsia, síndrome HELLP e descolamento prematuro de placenta. É crucial para residentes reconhecerem os sinais de alerta e a gravidade do quadro. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve disfunção endotelial generalizada, levando a vasoconstrição, aumento da permeabilidade vascular e ativação plaquetária. No rim, a lesão característica é a glomeruloendoteliose, que resulta em proteinúria e, consequentemente, hipoalbuminemia e edema. O diagnóstico é clínico, baseado nos níveis pressóricos e na presença de sintomas ou sinais de lesão de órgão-alvo. O manejo da pré-eclâmpsia grave inclui o controle da pressão arterial, profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio e, frequentemente, a interrupção da gestação. A via de parto é determinada pela condição materno-fetal e idade gestacional, mas a estabilização materna é prioritária. A monitorização da diurese é essencial, especialmente com o uso de sulfato de magnésio, devido ao risco de toxicidade em caso de insuficiência renal.
Pré-eclâmpsia grave é diagnosticada por PA ≥160/110 mmHg, proteinúria ≥5g/24h ou sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica, edema pulmonar ou disfunção hepática/renal.
O sulfato de magnésio é a droga de escolha para profilaxia e tratamento de convulsões (eclâmpsia) em pacientes com pré-eclâmpsia grave, atuando como um anticonvulsivante e neuroprotetor.
A glomeruloendoteliose é a lesão renal característica da pré-eclâmpsia, envolvendo inchaço e oclusão das células endoteliais glomerulares, levando à proteinúria e contribuindo para o edema.
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