CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2015
Simony 23 anos foi a maternidade com cefaléia. Sua última menstruação foi dia 16/05/2014. Ao ser examinada sua pressão arterial estava 150 x 110 mmHg. Foi solicitada ultrassonografia com Doppler que evidenciou artéria cerebral média de baixa resistência e artéria umbilical com alta resistência. Índice de líquido amniótico: 6.0 cm. A relação umbílico cerebral estava 1,6 e ducto venoso com onda A reversa. Sabendo-se que hoje é dia 18/01/2015 qual a conduta mais adequada baseado no exposto acima:
Pré-eclâmpsia grave + Doppler fetal alterado (onda A reversa ducto venoso, centralização, alta resistência umbilical) + oligodramnia → Interrupção da gestação.
A paciente apresenta pré-eclâmpsia grave e múltiplos sinais de sofrimento fetal agudo e crônico (centralização, alta resistência umbilical, oligodramnia, e especialmente a onda A reversa no ducto venoso, que indica descompensação fetal grave). Diante de um quadro de pré-eclâmpsia grave e comprometimento fetal avançado, a interrupção da gestação é a conduta mais adequada para salvar a vida da mãe e do feto.
A pré-eclâmpsia grave é uma condição hipertensiva da gestação que pode levar a complicações maternas e fetais sérias. O manejo envolve o controle da pressão arterial e a avaliação contínua do bem-estar fetal. Quando há sinais de descompensação fetal, a interrupção da gestação torna-se imperativa, independentemente da idade gestacional. Os exames de Doppler fetal são cruciais para avaliar a vitalidade fetal e a função placentária. A baixa resistência na artéria cerebral média (centralização) indica um mecanismo compensatório do feto para preservar o fluxo sanguíneo para órgãos vitais. A alta resistência na artéria umbilical sugere insuficiência placentária. A relação umbílico-cerebral alterada (normalmente >1) reforça o diagnóstico de centralização. O achado mais alarmante neste cenário é a onda A reversa no ducto venoso. Este é um sinal tardio e grave de sofrimento fetal, indicando disfunção cardíaca e acidose metabólica, com alto risco de óbito perinatal. A oligodramnia (ILA < 5 cm ou 6 cm, dependendo do critério) também é um indicador de comprometimento fetal crônico. Diante da pré-eclâmpsia grave associada a múltiplos sinais de descompensação fetal, a interrupção da gestação é a conduta mais adequada para evitar desfechos adversos graves.
Pré-eclâmpsia grave é definida por PA ≥ 160/110 mmHg, sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica, ou achados laboratoriais como plaquetopenia, elevação de transaminases, creatinina elevada ou edema pulmonar.
A onda A reversa no ducto venoso é um sinal de comprometimento fetal grave, indicando disfunção cardíaca e acidose, sendo um forte preditor de morbimortalidade perinatal e necessidade de intervenção imediata.
A centralização é indicada por baixa resistência na artéria cerebral média. A insuficiência placentária é sugerida por alta resistência na artéria umbilical e relação umbílico-cerebral alterada, refletindo redistribuição do fluxo sanguíneo fetal.
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