Pré-eclâmpsia Grave: Manejo e Interrupção da Gestação

SMA Volta Redonda - Secretaria Municipal de Saúde (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Primigesta, 16 anos, 36 semanas e 2 dias com queixa de cefaléia intensa e escotomas cintilantes. PA: 148x92 mmHg, FU: 32 cm, metrossístoles ausentes, bcf: 120 bpm, colo posterior, longo e fechado. Qual a melhor conduta:

Alternativas

  1. A) Cesariana imediata e internação no CTI no pós-operatório.
  2. B) Hidralazina venosa, internação e curva de pressão arterial de 4/4h.
  3. C) Metildopa dose máxima, Sulfato de magnésio por 48h e postergar a gestação, se possível, até 37 semanas.
  4. D) Sulfato de magnésio e interrupção da gestação após 4-6h de estabilização do quadro.
  5. E) Hidralazina venosa, corticoterapia e acompanhamento ambulatorial 32 semanas, independente da via de parto.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave >34s: Sulfato de magnésio + interrupção da gestação após estabilização.

Resumo-Chave

Pacientes com pré-eclâmpsia grave, especialmente após 34 semanas de gestação, requerem estabilização materna com sulfato de magnésio para profilaxia de convulsões e interrupção da gestação. A estabilização por algumas horas permite o início da ação do magnésio e a preparação para o parto.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia grave é uma condição hipertensiva gestacional que representa uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. Caracteriza-se por hipertensão arterial (PA ≥ 140/90 mmHg) após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria e/ou disfunção de órgãos-alvo. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para o desfecho favorável. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial generalizada e má perfusão placentária, levando a uma resposta inflamatória sistêmica. Os sintomas de gravidade incluem cefaleia persistente, distúrbios visuais (escotomas), dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, e alterações laboratoriais como plaquetopenia, elevação de transaminases e creatinina. O diagnóstico é clínico e laboratorial, e a suspeita deve ser alta em gestantes com hipertensão e sintomas associados. O tratamento definitivo da pré-eclâmpsia é a interrupção da gestação. Em casos de pré-eclâmpsia grave, especialmente após 34 semanas, a conduta é estabilizar a paciente com sulfato de magnésio para profilaxia de convulsões e, em seguida, proceder à interrupção da gestação, geralmente após 4-6 horas de estabilização. O controle pressórico com anti-hipertensivos como hidralazina ou labetalol pode ser necessário, mas não substitui o tratamento definitivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de pré-eclâmpsia grave que indicam a necessidade de interrupção da gestação?

Sinais como cefaleia intensa, escotomas cintilantes, dor epigástrica, oligúria, edema pulmonar, elevação de enzimas hepáticas ou plaquetopenia indicam gravidade e a necessidade de interrupção da gestação, especialmente após 34 semanas.

Por que o sulfato de magnésio é a primeira linha na pré-eclâmpsia grave?

O sulfato de magnésio é utilizado para profilaxia e tratamento de convulsões (eclâmpsia), sendo o anticonvulsivante de escolha. Ele atua como um depressor do sistema nervoso central, reduzindo a excitabilidade neuronal.

Qual o papel da hidralazina ou metildopa no manejo da pré-eclâmpsia grave?

Hidralazina (IV) é usada para controle agudo da hipertensão grave, enquanto metildopa é para controle crônico. No entanto, o controle pressórico não trata a doença de base, que é a pré-eclâmpsia, e não substitui a necessidade de sulfato de magnésio e interrupção da gestação em casos graves.

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