Pré-eclâmpsia: Fisiopatologia do sFlt-1 e Disfunção Endotelial

FJG - Fundação João Goulart / SMS Rio de Janeiro — Prova 2015

Enunciado

Em relação às alterações fisiopatológicas da toxemia gravídica, é correto afirmar: 

Alternativas

  1. A) Há alteração vascular endotelial com aumento de prostaciclina e diminuição de óxido nítrico.
  2. B) O Flt-1 solúvel leva à disfunção endotelial por antagonizar os fatores de crescimento endotelial vascular e placentário.
  3. C) Ocorre aumento da excreção renal de urato.
  4. D) Há redução da pressão venosa central e aumento da pressão pulmonar de cunha. 

Pérola Clínica

Na pré-eclâmpsia, sFlt-1 antagoniza VEGF/PlGF, causando disfunção endotelial e angiogênese deficiente.

Resumo-Chave

A pré-eclâmpsia é caracterizada por disfunção endotelial generalizada, impulsionada por um desequilíbrio de fatores angiogênicos. O aumento do Flt-1 solúvel (sFlt-1) na circulação materna antagoniza os fatores de crescimento endotelial vascular (VEGF) e placentário (PlGF), essenciais para a manutenção da integridade endotelial e angiogênese placentária.

Contexto Educacional

A toxemia gravídica, mais conhecida como pré-eclâmpsia, é uma síndrome multissistêmica de etiologia complexa, caracterizada por hipertensão e proteinúria após a 20ª semana de gestação. Sua fisiopatologia central envolve uma placentação anormal, resultando em isquemia placentária e liberação de fatores que causam disfunção endotelial materna generalizada. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. Um dos mecanismos-chave é o desequilíbrio entre fatores angiogênicos e antiangiogênicos. A placenta isquêmica libera quantidades excessivas de Flt-1 solúvel (sFlt-1), uma proteína antiangiogênica. O sFlt-1 atua como um 'receptor isca', ligando-se e neutralizando os fatores de crescimento endotelial vascular (VEGF) e placentário (PlGF), que são essenciais para a manutenção da integridade endotelial e para a angiogênese. A deficiência de VEGF e PlGF leva à disfunção das células endoteliais maternas, resultando em vasoconstrição, aumento da permeabilidade vascular, ativação plaquetária e coagulopatia. As consequências da disfunção endotelial são as manifestações clínicas da pré-eclâmpsia: hipertensão (vasoconstrição), proteinúria e edema (aumento da permeabilidade capilar glomerular), disfunção renal (necrose tubular aguda), disfunção hepática (síndrome HELLP), e alterações neurológicas (eclâmpsia). O tratamento definitivo é o parto, mas o manejo clínico visa controlar a pressão arterial, prevenir convulsões e monitorar a mãe e o feto até o momento ideal do parto. Residentes devem compreender essa complexa fisiopatologia para um manejo adequado e para reconhecer a gravidade da condição.

Perguntas Frequentes

Qual o papel do Flt-1 solúvel (sFlt-1) na pré-eclâmpsia?

O sFlt-1 é uma proteína antiangiogênica que se liga e inativa os fatores de crescimento endotelial vascular (VEGF) e placentário (PlGF). Na pré-eclâmpsia, há um aumento dos níveis de sFlt-1, que sequestra VEGF e PlGF, levando à disfunção endotelial generalizada e às manifestações clínicas da doença.

Como a disfunção endotelial contribui para os sintomas da pré-eclâmpsia?

A disfunção endotelial resulta em vasoconstrição, aumento da permeabilidade vascular, ativação plaquetária e coagulação. Isso se manifesta clinicamente como hipertensão, proteinúria, edema, disfunção renal, hepática e neurológica, características da pré-eclâmpsia.

Quais são as principais alterações hemodinâmicas na pré-eclâmpsia?

Na pré-eclâmpsia, ocorre aumento da resistência vascular sistêmica e da pós-carga, com débito cardíaco geralmente normal ou aumentado no início e, em casos graves, pode haver disfunção miocárdica. A pressão venosa central e a pressão pulmonar de cunha podem estar elevadas devido ao aumento da permeabilidade capilar e sobrecarga volêmica.

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