PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021
Gestante de 27 anos, G2P1AO, idade gestacional de 13 semanas de gravidez, comparece à primeira consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Relata parto prematuro com 31 semanas na última gravidez por quadro de ''aumento súbito da pressão arterial na gravidez e que só controlou depois do parto''. Nega diabetes, hipertensão ou outras morbidades. Relata alergia à proteína do leite. Ao exame físico não foram identificadas anormalidades. Qual a conduta MAIS ADEQUADA para se tentar reduzir o risco, na gravidez atual, de complicação obstétrica semelhante à relatada?
História de pré-eclâmpsia/parto prematuro → AAS + cálcio para prevenção.
Gestantes com histórico de pré-eclâmpsia ou parto prematuro relacionado à hipertensão são de alto risco. A profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose e suplementação de cálcio é recomendada para reduzir o risco de recorrência.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação, ou hipertensão com sinais de disfunção de órgãos-alvo. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, frequentemente levando a partos prematuros iatrogênicos. A história de pré-eclâmpsia em gestação anterior é um dos mais fortes fatores de risco para recorrência. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve uma placentação anormal, resultando em isquemia placentária e liberação de fatores antiangiogênicos que causam disfunção endotelial materna generalizada. A identificação precoce de gestantes de alto risco é fundamental para a implementação de medidas profiláticas. Para gestantes com alto risco de pré-eclâmpsia, como aquelas com história prévia da doença ou parto prematuro relacionado à hipertensão, a profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose (geralmente 100-150 mg/dia) é fortemente recomendada, idealmente iniciada antes das 16 semanas de gestação e mantida até o parto. Adicionalmente, a suplementação de cálcio (1-2 g/dia) é indicada para gestantes com baixa ingestão dietética de cálcio e alto risco, pois demonstrou reduzir a incidência de pré-eclâmpsia. Essas intervenções visam melhorar a perfusão placentária e modular a resposta inflamatória, diminuindo o risco de recorrência.
Fatores de risco incluem história prévia de pré-eclâmpsia, hipertensão crônica, diabetes, doença renal, doenças autoimunes, gestação múltipla e obesidade.
O AAS em baixa dose atua inibindo a agregação plaquetária e modulando a produção de prostaciclinas e tromboxanos, melhorando a perfusão placentária e reduzindo o risco de disfunção endotelial associada à pré-eclâmpsia.
A suplementação de cálcio é recomendada para gestantes com baixa ingestão dietética de cálcio e alto risco de pré-eclâmpsia, pois pode reduzir a pressão arterial e o risco da doença, embora o mecanismo exato não seja totalmente compreendido.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo