Pré-eclâmpsia: Diagnóstico, Fatores de Risco e Prevenção

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2022

Enunciado

As síndromes hipertensivas intercorrentes na gestação, em especial a pré-eclâmpsia (PE), acarretam risco real e impacto significativo nos indicadores relacionados à saúde materna e infantil. Assinale a alternativa incorreta sobre o tema pré-eclâmpsia:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico de PE pode ser baseado na presença de cefaleia, turvação visual, dor abdominal ou exames laboratoriais alterados como plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas e comprometimento renal.
  2. B) Os principais fatores de risco para o desenvolvimento da PE são primigestação, história prévia ou familiar de PE, hipertensão crônica, diabetes, colagenose, raça negra, obesidade e trombofilias.
  3. C) A PE é definida por hipertensão arterial, presença de pressão arterial sistólica maior ou igual a 140 mmHg e/ou pressão arterial diastólica maior ou igual a 90 mmHg, identificada pela primeira vez no primeiro trimestre da gestação.
  4. D) Para a prevenção de PE, são considerados efetivos e recomendáveis, na prática clínica, o uso de cálcio e aspirina.
  5. E) Eclâmpsia é a ocorrência de convulsões motoras generalizadas (tipo grande mal) em gestantes com PE. As convulsões podem ocorrer no período pré-parto (50%), durante o parto (20%) e no período pós-parto (11%-44%).

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia = HAS (≥140/90 mmHg) após 20 semanas de gestação + proteinúria ou disfunção orgânica.

Resumo-Chave

A pré-eclâmpsia é definida por hipertensão arterial (PAS ≥ 140 mmHg e/ou PAD ≥ 90 mmHg) que surge após a 20ª semana de gestação, acompanhada de proteinúria ou sinais de disfunção de órgãos-alvo. A alternativa C está incorreta porque a hipertensão identificada no primeiro trimestre da gestação é considerada hipertensão crônica, e não pré-eclâmpsia. A pré-eclâmpsia é uma condição que se manifesta na segunda metade da gestação.

Contexto Educacional

As síndromes hipertensivas na gestação, especialmente a pré-eclâmpsia (PE), representam uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. A PE afeta cerca de 2-8% das gestações e é caracterizada por hipertensão de início recente e proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo após 20 semanas de gestação. Seu impacto é significativo, exigindo vigilância e manejo adequados. A fisiopatologia da PE envolve uma placentação anormal, levando à isquemia placentária e liberação de fatores antiangiogênicos que causam disfunção endotelial sistêmica. O diagnóstico é clínico, baseado na elevação da pressão arterial (PAS ≥ 140 mmHg e/ou PAD ≥ 90 mmHg) após 20 semanas, associada a proteinúria (≥ 300 mg/24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3) ou sinais de disfunção de órgãos (ex: cefaleia, turvação visual, dor abdominal, plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas, insuficiência renal). É crucial diferenciar da hipertensão crônica, que se manifesta antes das 20 semanas. O tratamento definitivo da PE é o parto. No entanto, o manejo expectante pode ser considerado em gestações pré-termo, com monitoramento rigoroso materno e fetal. A prevenção em grupos de risco inclui o uso de aspirina em baixa dose e suplementação de cálcio. A eclâmpsia, complicação mais grave, é a ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em gestantes com PE, exigindo manejo emergencial com sulfato de magnésio.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é diagnosticada por hipertensão arterial (PAS ≥ 140 mmHg e/ou PAD ≥ 90 mmHg) que surge após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria ou sinais de disfunção de órgãos-alvo (ex: plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas, insuficiência renal, edema pulmonar, sintomas neurológicos).

Quais são os principais fatores de risco para pré-eclâmpsia?

Fatores de risco incluem primigestação, história prévia ou familiar de PE, hipertensão crônica, diabetes, doenças autoimunes (colagenoses), obesidade, trombofilias e gestação múltipla.

Como a pré-eclâmpsia pode ser prevenida?

A prevenção da pré-eclâmpsia em gestantes de risco é feita com o uso de aspirina em baixa dose (geralmente 100-150 mg/dia) iniciada antes das 16 semanas de gestação e suplementação de cálcio em populações com baixa ingestão dietética.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo