Pré-eclâmpsia: Critérios Diagnósticos Essenciais

UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2020

Enunciado

Primigesta de 19 anos, sem doenças prévias, no curso de 30 semanas de gestação. Está assintomática e na atual consulta do pré-natal apresentou as seguintes medidas de pressão arterial: PA sentada = 150x100 mmHg e PA após 15 minutos em decúbito lateral esquerdo = 140x90 mmHg. Além disso, teve ganho de peso de 2 Kg nas últimas 2 semanas. Apresenta resultado de proteinúria acima de 300 mg em 24 horas. O diagnóstico provável é:

Alternativas

  1. A) Pré-eclâmpsia.
  2. B) Hipertensão arterial crônica.
  3. C) Hipertensão transitória da gravidez.
  4. D) Pré-eclâmpsia superposta à hipertensão arterial crônica.

Pérola Clínica

PA ≥ 140/90 mmHg após 20 semanas + proteinúria > 300mg/24h = Pré-eclâmpsia.

Resumo-Chave

O diagnóstico de pré-eclâmpsia é estabelecido pela presença de hipertensão arterial (PA ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões com 4h de intervalo) que surge após 20 semanas de gestação em mulher previamente normotensa, associada à proteinúria (≥ 300 mg em 24 horas ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3). O ganho de peso rápido pode ser um sinal de edema, comum na pré-eclâmpsia.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma das síndromes hipertensivas mais graves da gestação, afetando cerca de 2-8% das gestações e sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. Caracteriza-se pelo desenvolvimento de hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação em mulheres previamente normotensas, ou pelo surgimento de hipertensão com disfunção de órgãos-alvo na ausência de proteinúria. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para o prognóstico materno-fetal. O diagnóstico baseia-se em critérios bem definidos: pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg ou diastólica ≥ 90 mmHg em duas ocasiões com 4 horas de intervalo, após 20 semanas de gestação, e proteinúria ≥ 300 mg em 24 horas ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3. Na ausência de proteinúria, o diagnóstico pode ser feito se houver plaquetopenia, disfunção renal, disfunção hepática, edema pulmonar ou sintomas cerebrais/visuais. O ganho de peso excessivo e rápido pode ser um sinal de alerta para edema, embora não seja um critério diagnóstico formal. O manejo da pré-eclâmpsia envolve monitoramento rigoroso da mãe e do feto, controle da pressão arterial e, em muitos casos, a interrupção da gestação como tratamento definitivo, especialmente em casos de pré-eclâmpsia grave ou com complicações. Residentes devem estar aptos a diferenciar a pré-eclâmpsia de outras síndromes hipertensivas e a iniciar o manejo adequado para prevenir complicações como eclampsia, síndrome HELLP e restrição de crescimento fetal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia?

Os critérios incluem o surgimento de hipertensão arterial (PA sistólica ≥ 140 mmHg e/ou diastólica ≥ 90 mmHg em duas aferições com 4 horas de intervalo) após 20 semanas de gestação em uma mulher previamente normotensa, associada à proteinúria (≥ 300 mg em 24 horas ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3) ou, na ausência de proteinúria, a novos sinais de disfunção orgânica.

Como diferenciar pré-eclâmpsia de hipertensão gestacional?

A hipertensão gestacional é definida pela hipertensão que surge após 20 semanas de gestação sem proteinúria ou outros sinais de disfunção orgânica. A pré-eclâmpsia, por sua vez, adiciona a proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo a esse quadro hipertensivo.

Qual a importância do ganho de peso rápido na pré-eclâmpsia?

Um ganho de peso rápido e excessivo, especialmente nas últimas semanas de gestação, pode indicar edema significativo, que é um dos sinais clínicos associados à pré-eclâmpsia, embora não seja um critério diagnóstico primário. É um alerta para investigação mais aprofundada.

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