SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022
Paciente, 15 anos, primípara e na 26ª semana de gravidez. Foi para a 4ª consulta pré-natal de rotina, assintomática, na Unidade Básica de Saúde (UBS). Nega hipertensão, diabetes, cardiopatias e outras doenças. Ao exame geral, nada digno de nota. Ao exame obstétrico: dinâmica uterina, ausente; feto em situação transversa, apresentação córmica e alto e móvel; batimentos fetais de 136 bpm; altura de fundo uterino de 23 cm; e pressão arterial 130 x 90 mmHg (confirmada por duas vezes e após repouso em decúbito lateral esquerdo). Índice de massa corpórea 26,4 kg/m². Proteinúria de fita +++/4+.Qual a conduta CORRETA inicial?
PA ≥ 140/90 mmHg + proteinúria na gestação > 20 semanas → Suspeita de pré-eclâmpsia, encaminhar alto risco.
A paciente apresenta hipertensão (PA 130x90 mmHg, confirmada) e proteinúria de fita +++ após 20 semanas de gestação, o que configura suspeita de pré-eclâmpsia. Além disso, a gravidez na adolescência é um fator de risco. A conduta correta é encaminhamento para pré-natal de alto risco e investigação laboratorial.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão arterial e proteinúria que se desenvolve após a 20ª semana de gravidez. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. No caso apresentado, a paciente, uma adolescente primípara na 26ª semana, com PA de 130x90 mmHg e proteinúria de fita +++, apresenta um quadro altamente sugestivo de pré-eclâmpsia, que é ainda mais preocupante devido à idade jovem. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve uma placentação anormal, levando à disfunção endotelial sistêmica. O diagnóstico é clínico e laboratorial, exigindo a confirmação da hipertensão e da proteinúria. A proteinúria de fita +++ é um sinal de alerta importante, embora a quantificação em 24h seja o padrão-ouro. A gravidez na adolescência é um fator de risco conhecido para pré-eclâmpsia, o que aumenta a necessidade de vigilância. A conduta inicial para suspeita de pré-eclâmpsia é o encaminhamento imediato para o pré-natal de alto risco, onde será realizada uma investigação laboratorial completa (hemograma, função renal, hepática, ácido úrico, desidrogenase láctica, quantificação de proteinúria) e monitoramento intensivo da mãe e do feto. A restrição de sal é uma medida geral, mas não a conduta principal. O uso de anti-hipertensivos deve ser avaliado por especialista, e o internamento imediato só seria indicado em casos de pré-eclâmpsia grave ou com sinais de iminência de eclâmpsia.
A pré-eclâmpsia é diagnosticada por hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões, com 4h de intervalo, após 20 semanas de gestação) associada a proteinúria (≥ 300 mg/24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3 ou proteinúria de fita ≥ ++).
A gravidez na adolescência é um fator de risco para pré-eclâmpsia devido à imaturidade fisiológica do sistema cardiovascular e renal da gestante jovem, além de fatores socioeconômicos e nutricionais que podem influenciar o desenvolvimento da doença.
O encaminhamento para pré-natal de alto risco é crucial para gestantes com suspeita ou diagnóstico de pré-eclâmpsia, pois permite um monitoramento mais intensivo da mãe e do feto, acesso a exames especializados e manejo por equipe multidisciplinar para prevenir complicações graves.
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