HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2023
Paciente, 33 anos, nuligesta e na 25° semana de gravidez. Chega ao pronto-socorro obstétrico do hospital de sua cidade relatando cefaleia de moderada intensidade. Nega hipertensão, diabetes e outras comorbidades. Ao exame obstétrico: dinâmica uterina, ausente; feto em apresentação córmica; batimentos fetais de 140 bpm; altura de fundo uterino de 22,5 cm; e pressão arterial 140 x 90 mmHg (confirmada por duas vezes e após repouso em decúbito lateral esquerdo). Exame de urina com proteinúria 2+/4+. Considerando as informações, a conduta inicial CORRETA é:
PA ≥140/90 + proteinúria após 20s = Pré-eclâmpsia. Encaminhar alto risco e exames.
A paciente apresenta pré-eclâmpsia, definida por hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg) e proteinúria (≥ 300 mg/24h ou 2+ em fita) após 20 semanas de gestação, sem história prévia de hipertensão. A conduta inicial inclui monitoramento rigoroso, encaminhamento para pré-natal de alto risco e exames complementares para avaliar a gravidade.
A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, sendo uma complicação da gravidez caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação em mulheres previamente normotensas. Sua etiologia exata ainda não é totalmente compreendida, mas envolve disfunção placentária e resposta inflamatória sistêmica materna. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são fundamentais para otimizar os resultados maternos e fetais. O diagnóstico da pré-eclâmpsia baseia-se na elevação da pressão arterial (≥ 140/90 mmHg) e na presença de proteinúria. Sintomas como cefaleia, distúrbios visuais e dor epigástrica podem indicar progressão para formas mais graves. A classificação da pré-eclâmpsia em 'com sinais de gravidade' ou 'sem sinais de gravidade' é crucial para definir a conduta. A paciente do caso, com 25 semanas e cefaleia, mesmo que moderada, e proteinúria, já se enquadra nos critérios diagnósticos e requer atenção especial. A conduta inicial para pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade inclui monitoramento ambulatorial rigoroso com retornos frequentes, encaminhamento para pré-natal de alto risco e solicitação de exames laboratoriais complementares para avaliar a função de órgãos-alvo e descartar sinais de gravidade. A restrição de sal na dieta não é mais rotineiramente recomendada, e o uso de anti-hipertensivos é reservado para casos de hipertensão grave. O objetivo é prolongar a gestação com segurança, monitorando de perto a mãe e o feto para intervir se houver piora.
A pré-eclâmpsia é diagnosticada pela presença de hipertensão (pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e/ou diastólica ≥ 90 mmHg em duas ocasiões, com 4 horas de intervalo) após 20 semanas de gestação, em mulher previamente normotensa, associada a proteinúria (≥ 300 mg em 24h ou 2+ em fita reagente).
O encaminhamento para pré-natal de alto risco é crucial para um monitoramento mais intensivo da mãe e do feto, incluindo avaliação de exames laboratoriais (função renal, hepática, plaquetas), ultrassonografias seriadas para avaliação do crescimento fetal e dopplerfluxometria, e planejamento do manejo adequado para prevenir complicações.
Os exames incluem hemograma completo (para plaquetas), função renal (creatinina, ureia, ácido úrico), função hepática (TGO, TGP, DHL), proteinúria de 24 horas (ou relação proteína/creatinina urinária), e pesquisa de sinais de hemólise. Esses exames ajudam a classificar a gravidade da pré-eclâmpsia e a identificar a Síndrome HELLP.
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