Pré-eclâmpsia: Critérios Diagnósticos e Disfunção de Órgão

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2020

Enunciado

Considerando os distúrbios hipertensivos da gravidez, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Os distúrbios hipertensivos na gravidez são classificados em hipertensão gestacional, pré- eclâmpsia, hipertensão arterial crônica e síndrome HELLP.
  2. B) Gestante assintomática, com pressão arterial sistólica (PAS) "maior ou igual a" 140 e / ou pressão arterial diastólica (PAD) "maior ou igual a" 90 mmHg, com proteinúria de 24 horas negativa e com plaquetas abaixo de 100 000, deve ser considerada com o diagnóstico de pré-eclâmpsia.
  3. C) No primeiro trimestre da gravidez, ocorre uma queda fisiológica da pressão arterial, com retorno dos níveis pressóricos aos valores pré-gravídicos no início do segundo trimestre.
  4. D) Nos casos de pré-eclâmpsia com critérios de gravidade, deve-se aguardar o trabalho de parto espontâneo até a 37ª semana de gestação.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia = HAS + proteinúria OU HAS + disfunção de órgão-alvo (mesmo sem proteinúria).

Resumo-Chave

A pré-eclâmpsia é definida por hipertensão arterial (PAS ≥ 140 e/ou PAD ≥ 90 mmHg) após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria ou, na ausência desta, a sinais de disfunção de órgão-alvo (como plaquetopenia < 100.000, insuficiência renal, disfunção hepática, edema pulmonar ou sintomas cerebrais/visuais). A alternativa B descreve corretamente um quadro de pré-eclâmpsia com critério de gravidade (plaquetopenia).

Contexto Educacional

Os distúrbios hipertensivos da gravidez representam uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. A classificação correta é fundamental para o manejo adequado e inclui hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, eclâmpsia, síndrome HELLP e hipertensão arterial crônica (com ou sem pré-eclâmpsia sobreposta). A pré-eclâmpsia, em particular, é uma condição multissistêmica de etiologia complexa, caracterizada por hipertensão de início recente e disfunção de órgão-alvo. O diagnóstico de pré-eclâmpsia é estabelecido pela presença de hipertensão arterial (PAS ≥ 140 e/ou PAD ≥ 90 mmHg em duas ocasiões, com 4 horas de intervalo, após 20 semanas de gestação em mulher previamente normotensa) associada a proteinúria (≥ 300 mg em 24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3 ou dipstick ≥ 2+). Contudo, é crucial notar que a proteinúria não é mais um critério obrigatório se houver evidência de disfunção de órgão-alvo, como plaquetopenia (< 100.000/mm³), insuficiência renal (creatinina > 1,1 mg/dL ou duplicação da creatinina sérica), disfunção hepática (elevação de transaminases para o dobro do normal), edema pulmonar ou sintomas cerebrais/visuais. A alternativa B está correta porque descreve uma gestante com hipertensão e plaquetopenia (< 100.000), o que configura pré-eclâmpsia com critérios de gravidade, mesmo na ausência de proteinúria. A conduta e o prognóstico da pré-eclâmpsia dependem da gravidade e da idade gestacional, sendo a interrupção da gravidez o tratamento definitivo para a doença.

Perguntas Frequentes

Quais são as classificações dos distúrbios hipertensivos da gravidez?

Os distúrbios hipertensivos da gravidez são classificados em hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia (com ou sem critérios de gravidade), eclâmpsia, síndrome HELLP e hipertensão arterial crônica (com ou sem pré-eclâmpsia sobreposta).

Quando a plaquetopenia indica pré-eclâmpsia com critérios de gravidade?

A plaquetopenia abaixo de 100.000/mm³ em uma gestante hipertensa após 20 semanas de gestação é um dos critérios de gravidade para pré-eclâmpsia, mesmo na ausência de proteinúria, e exige manejo imediato.

Qual a conduta para pré-eclâmpsia com critérios de gravidade?

A conduta para pré-eclâmpsia com critérios de gravidade geralmente envolve a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, após estabilização materna, além de controle pressórico e profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio.

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