UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024
Secundigesta de 37 semanas, 40 anos de idade, parto cesáreo há 8 anos, vem encaminhada ao pronto atendimento por pressão arterial de 140 x 95 mmHg, assintomática. Níveis pressóricos sempre normais durante a gestação atual. Exame físico: AU: 34 cm; BCF: 148 bpm; DU ausente. Toque vaginal: colo grosso, posterior, pérvio para 2,0 cm, cefálico. Extremidades: edema +/ 4+ membros inferiores. Exames laboratoriais: Hb = 11,6 g/dL, Htc = 33,7 %; leucograma = 11700 glóbulos brancos; plaquetas = 224.000/mm3 ; TGO/TGP = 14/12 U/L; creatinina = 0,6 mg/dL. Urina I = prot +. Qual é a conduta mais indicada?
Gestante > 37 semanas com pré-eclâmpsia (PA ≥ 140/90 + proteinúria) → Indução do parto é a conduta mais indicada.
A paciente apresenta hipertensão (140x95 mmHg) e proteinúria (+), sem outros sinais de gravidade, caracterizando pré-eclâmpsia em gestação a termo (37 semanas). Nessas condições, a interrupção da gestação é a conduta mais segura para mãe e feto.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão e proteinúria após a 20ª semana de gestação, podendo levar a complicações graves maternas e fetais. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, exigindo reconhecimento e manejo adequados para otimizar os desfechos. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial generalizada e má perfusão placentária. O diagnóstico é feito pela presença de hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg) e proteinúria. Em gestantes a termo (≥ 37 semanas), mesmo na ausência de sinais de gravidade, a interrupção da gestação é o tratamento definitivo, pois a placenta é a fonte da doença e sua remoção resolve a condição. A indução do parto é a conduta mais indicada para gestantes com pré-eclâmpsia a termo, visando a resolução da doença e a prevenção de progressão para formas graves, como eclâmpsia ou síndrome HELLP. O parto cesáreo imediato é reservado para casos com sinais de gravidade ou contraindicações à via vaginal. O seguimento ambulatorial com hipotensores é inadequado para pré-eclâmpsia a termo, pois não trata a causa subjacente.
Pré-eclâmpsia é diagnosticada por hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões com 4h de intervalo após 20 semanas de gestação) e proteinúria (≥ 300 mg em 24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3 ou fita reagente 1+).
A indução do parto é o tratamento definitivo para a pré-eclâmpsia, pois a condição é resolvida com a retirada da placenta. Em gestações a termo (>37 semanas), os riscos da manutenção da gestação superam os benefícios, justificando a interrupção.
Sinais de gravidade incluem PA ≥ 160/110 mmHg, cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica, plaquetopenia (<100.000), elevação de transaminases, insuficiência renal e edema pulmonar, que demandam intervenção imediata.
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