Pré-eclâmpsia: Critérios de Gravidade e Manejo Essencial

UFSM/HUSM - Hospital Universitário de Santa Maria (RS) — Prova 2016

Enunciado

Segundo Stein, Zelmanowicz e Falavigna (2013), o rastreamento, também chamado de rastreio ou screening, pode ser definido como um processo que identifica pessoas aparentemente saudáveis, mas que poderiam apresentar maior risco de desenvolver uma doença ou maior probabilidade de ter uma determinada condição clínica; as quais, uma vez identificadas, se confirmadas com segurança, deveriam receber um tratamento capaz de reduzir o risco e/ou complicação da doença em questão. Com relação ao rastreamento de indivíduos assintomáticos, responda à questão seguinte. Sobre hipertensão na gestação, considere as assertivas abaixo.I - Em gestantes com pré- eclâmpsia leve, não há aumento das taxas de morbimortalidade materna e fetal.II - São considerados critérios de gravidade da pré-eclâmpsia crescimento intrauterino restrito, pressão arterial sistólica "maior ou igual a" 160 mmHg, trombocitopenia e aumento das enzimas hepáticas.III - Na suspeita de pré-eclâmpsia, está indicada biópsia renal; endoteliose capilar glomerular confirma o diagnóstico.Quais são corretas?

Alternativas

  1. A) Apenas I
  2. B) Apenas II
  3. C) Apenas III
  4. D) Apenas I e II
  5. E) I, II e III

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave = PA ≥ 160/110 mmHg, trombocitopenia, ↑ enzimas hepáticas, CIUR. Biópsia renal NÃO é rotina.

Resumo-Chave

A pré-eclâmpsia leve, apesar do nome, ainda confere riscos maternos e fetais, e a biópsia renal não é um método diagnóstico de rotina para pré-eclâmpsia. Os critérios de gravidade são cruciais para o manejo e prognóstico, indicando a necessidade de intervenção mais agressiva.

Contexto Educacional

A hipertensão na gestação engloba diversas condições, sendo a pré-eclâmpsia uma das mais importantes. Definida por hipertensão de início após 20 semanas de gestação, acompanhada de proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo, a pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. O rastreamento e a identificação precoce são fundamentais para um manejo adequado. A classificação da pré-eclâmpsia em "leve" ou "grave" é crucial para a conduta. Critérios de gravidade incluem pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, trombocitopenia (<100.000/µL), disfunção hepática (elevação de transaminases), insuficiência renal (creatinina >1,1 mg/dL ou duplicação), edema pulmonar, e sintomas neurológicos ou visuais. O crescimento intrauterino restrito (CIUR) é uma complicação fetal importante associada à pré-eclâmpsia grave. É um equívoco pensar que a pré-eclâmpsia leve não tem riscos; ela ainda exige monitoramento rigoroso devido ao potencial de progressão e complicações. A biópsia renal não é um método diagnóstico de rotina para pré-eclâmpsia, sendo o diagnóstico primariamente clínico. A endoteliose capilar glomerular é a lesão histopatológica renal característica, mas sua confirmação não é necessária para o manejo clínico. O tratamento definitivo é o parto, com manejo expectante em casos selecionados de pré-eclâmpsia não grave.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para definir a pré-eclâmpsia como grave?

A pré-eclâmpsia é considerada grave quando a pressão arterial sistólica é ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, há trombocitopenia (<100.000/µL), disfunção hepática (enzimas hepáticas elevadas), insuficiência renal progressiva, edema pulmonar ou sintomas neurológicos/visuais.

Por que a biópsia renal não é indicada rotineiramente na suspeita de pré-eclâmpsia?

A biópsia renal não é um exame de rotina para o diagnóstico de pré-eclâmpsia devido ao seu caráter invasivo e ao fato de que o diagnóstico é clínico. A endoteliose capilar glomerular é a lesão renal característica, mas sua identificação por biópsia é reservada para casos atípicos ou para pesquisa.

A pré-eclâmpsia leve realmente não aumenta as taxas de morbimortalidade materna e fetal?

Não, mesmo a pré-eclâmpsia classificada como "leve" pode ter um impacto significativo na morbimortalidade materna e fetal. Existe sempre um risco de progressão para formas mais graves e de complicações como restrição de crescimento intrauterino, parto prematuro e descolamento de placenta.

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