HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2020
Gestante de 19 anos de idade, G1P0, IG 36 semanas, pré-natal sem intercorrências, compareceu a consulta habitual. Ao aferir sinais vitais durante triagem, apresentou PA = 164 mmHg x 112 mmHg. Após cinco minutos, foi aferida novamente com PA = 160 mmHg x 80 mmHg. Então, a unidade básica de saúde encaminhou a paciente imediatamente para o hospital. Ao chegar, ela queixou-se de cefaleia occipital, escotomas e epigastralgia e, após avaliação inicial, manteve PA = 170 mmHg x 100 mmHg, e foram solicitados exames que evidenciaram proteinúria 3+/4+, creatinina = 1,3 mg/dL e os demais exames dentro dos padrões da normalidade. A respeito desse caso clínico, em relação ao diagnóstico, assinale a alternativa correta. A respeito desse caso clínico, em relação ao diagnóstico assinale a alternativa correta.
PA ≥ 160/110 mmHg ou sintomas de iminência (cefaleia/escotomas) = Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade.
A pré-eclâmpsia é definida por hipertensão após 20 semanas com proteinúria ou disfunção orgânica. Sinais de gravidade incluem PA severa, sintomas neurológicos ou lesão renal.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica decorrente de uma placentação anômala que gera estresse oxidativo e disfunção endotelial sistêmica. O diagnóstico precoce dos sinais de gravidade é crucial para prevenir complicações fatais como o descolamento prematuro de placenta, acidente vascular cerebral e a própria eclâmpsia. O manejo foca no controle da hipertensão severa e na neuroproteção com magnésio, sendo o parto a única cura definitiva.
Os critérios incluem pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg em duas medidas, presença de sintomas de iminência de eclâmpsia (cefaleia, escotomas, epigastralgia), ou sinais de disfunção orgânica. Estes sinais laboratoriais abrangem creatinina > 1,1 mg/dL, edema agudo de pulmão, plaquetopenia < 100.000/mm³ ou elevação de transaminases ao dobro do valor de referência. No caso clínico, a paciente apresenta níveis pressóricos elevados (170/100 mmHg) e sintomas neurológicos/abdominais, consolidando o diagnóstico de gravidade, mesmo com creatinina discretamente elevada (1,3 mg/dL).
A hipertensão gestacional é definida pelo surgimento de níveis pressóricos ≥ 140/90 mmHg após a 20ª semana de gestação em paciente previamente normotensa, porém sem a presença de proteinúria ou outras disfunções orgânicas. Já a pré-eclâmpsia exige a presença de proteinúria (≥ 300mg/24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3) ou, na ausência desta, evidência de lesão de órgão-alvo (como insuficiência renal, edema pulmonar ou sintomas visuais/cerebrais) ou disfunção uteroplacentária.
A conduta envolve a estabilização materna com controle pressórico (hidralazina, labetalol ou nifedipino) se PA ≥ 160/110, profilaxia de crises convulsivas com sulfato de magnésio (esquema de Zuspan ou Pritchard) e avaliação da vitalidade fetal. Em gestações ≥ 34 semanas com sinais de gravidade, a interrupção da gestação é indicada após estabilização. Abaixo de 34 semanas, pode-se considerar conduta conservadora em centros de referência, desde que haja estabilidade materno-fetal absoluta.
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