Pré-eclâmpsia Grave: Conduta e Tratamento Essencial

INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Gestante de 23 anos, GIP0, 36 semanas e 5 dias, apresenta cefaléia e escotomas. A pressão arterial aferida de 190x110mmHg. Qual a conduta mais adequada para o caso?

Alternativas

  1. A) Hidralazina + sulfato de magnésio e indução após estabilização clínica.
  2. B) Hidralazina + sulfato de magnésio e aguardar 72h para realizar indução.
  3. C) Hidralazina + sulfato de magnésio e cesárea imediata.
  4. D) Hidralazina, solicitar exames laboratoriais e induzir o parto com analgesia.
  5. E) Corticóide e aguardar 48h para interrupção da gestação.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave (PA ≥ 160/110, cefaleia, escotomas) → Hidralazina + Sulfato de Mg + Indução do parto após estabilização.

Resumo-Chave

A gestante apresenta pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (cefaleia, escotomas, PA muito elevada). A conduta inclui controle da pressão arterial, profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio e interrupção da gestação após estabilização materna, pois a idade gestacional é ≥ 34 semanas.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma condição hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação. Quando associada a sinais e sintomas como cefaleia, escotomas, dor epigástrica, ou pressão arterial ≥ 160/110 mmHg, é classificada como pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, representando um risco aumentado de complicações maternas e fetais, incluindo eclâmpsia, acidente vascular cerebral, insuficiência renal e óbito. A fisiopatologia envolve uma disfunção endotelial generalizada e má perfusão placentária, levando a uma resposta inflamatória sistêmica. O diagnóstico é clínico e laboratorial, e a suspeita deve ser alta em gestantes com hipertensão e sintomas neurológicos ou visuais. A conduta imediata visa estabilizar a paciente e prevenir complicações. Isso inclui o controle rigoroso da pressão arterial com anti-hipertensivos como hidralazina, labetalol ou nifedipino, e a profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio. Após a estabilização materna, a interrupção da gestação é o tratamento definitivo para a pré-eclâmpsia. Em gestantes com 34 semanas ou mais, a indução do parto é a via preferencial, a menos que haja contraindicações obstétricas para o parto vaginal. A cesariana é reservada para falha de indução ou indicações obstétricas. O manejo expectante com corticoides para maturação pulmonar fetal é considerado apenas em gestações muito prematuras (<34 semanas) e em casos selecionados, sem sinais de deterioração materna ou fetal. A monitorização contínua da mãe e do feto é essencial durante todo o processo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para pré-eclâmpsia com sinais de gravidade?

A pré-eclâmpsia é considerada grave quando a pressão arterial é ≥ 160/110 mmHg em duas aferições com 4 horas de intervalo, ou quando há sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais (escotomas, visão turva), dor epigástrica ou no quadrante superior direito, edema pulmonar, oligúria, ou alterações laboratoriais como plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas ou creatinina sérica.

Por que o sulfato de magnésio é essencial no manejo da pré-eclâmpsia grave?

O sulfato de magnésio é a droga de escolha para a profilaxia e tratamento das convulsões eclâmpticas. Ele atua como um anticonvulsivante e neuroprotetor, reduzindo o risco de eclâmpsia em pacientes com pré-eclâmpsia grave, sem ser um anti-hipertensivo primário.

Quando a interrupção da gestação é indicada na pré-eclâmpsia grave?

A interrupção da gestação é indicada para todas as pacientes com pré-eclâmpsia grave a partir de 34 semanas de idade gestacional, após estabilização clínica materna. Antes das 34 semanas, pode-se considerar o manejo expectante em casos selecionados, mas a presença de sinais de gravidade ou deterioração materna ou fetal geralmente exige a interrupção.

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