SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023
Mulher admitida em maternidade com gestação de 34 semanas e 2 dias, referindo cefaleia. Ao exame físico: PA: 170x110mmHg. Dinâmica uterina ausente, vitalidade fetal preservada; colo uterino fechado. Solicitados exames laboratoriais que evidenciaram: AST: 80UI, Hb: 10,5 mg/dL, Plaquetas: 92.000, LDH: 650U/L, bilirrubinas: 1,3mg/dL e proteinúria ++.Indique a conduta imediata para o caso:
Pré-eclâmpsia grave/HELLP → MgSO4 + Anti-hipertensivo + Interrupção (estabilização prévia).
A presença de sinais de gravidade (PA ≥ 160/110, plaquetopenia, alteração de enzimas hepáticas) em gestação pré-termo tardia indica estabilização imediata e parto.
A pré-eclâmpsia é uma desordem multissistêmica caracterizada por hipertensão após 20 semanas de gestação. Quando associada a lesão de órgão-alvo ou parâmetros laboratoriais alterados (como na Síndrome HELLP), o risco de morbimortalidade materna e fetal aumenta drasticamente. O manejo foca na prevenção de convulsões (eclâmpsia) e controle da pressão arterial para evitar AVC hemorrágico. A estabilização materna é prioritária antes de qualquer procedimento cirúrgico ou indução. O uso de hidralazina ou labetalol visa manter a PA diastólica entre 90-100 mmHg, evitando quedas bruscas que comprometam a perfusão placentária.
A Síndrome HELLP é definida pelos critérios de Tennessee: Hemólise (esquizócitos em esfregaço, LDH > 600 U/L ou Bilirrubina Total > 1,2 mg/dL), Enzimas hepáticas elevadas (AST ≥ 70 U/L) e Plaquetopenia (< 100.000/mm³). É uma complicação grave da pré-eclâmpsia que exige vigilância rigorosa e, frequentemente, a interrupção da gestação após estabilização materna.
O padrão-ouro é o Sulfato de Magnésio. O esquema de Zuspan (ataque 4g IV + manutenção 1g/h IV) ou Pritchard (ataque 4g IV + 10g IM + manutenção 5g IM 4/4h) deve ser iniciado em toda pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. Deve-se monitorar reflexo patelar, frequência respiratória e débito urinário para evitar intoxicação por magnésio.
Em gestações ≥ 34 semanas com sinais de gravidade ou HELLP, a interrupção é indicada após estabilização hemodinâmica e início do sulfato de magnésio. Abaixo de 34 semanas, a conduta pode ser conservadora em casos selecionados para corticoterapia, mas a presença de HELLP, eclâmpsia ou sofrimento fetal impõe o parto imediato.
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