USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Multigesta (G4P2A1, 1 parto cesárea, por suspeita de sofrimento fetal), 33 anos, comparece para consulta de rotina. Faz seguimento pré-natal em ambulatório de gestação de alto risco devido ao diagnóstico de pré-eclâmpsia, com proteinúria de 1,5grama/24horas. Está com 36 semanas e 5 dias de gestação, assintomática, com exames de comprometimento normais e boa vitalidade fetal. Está em uso de 1 g/dia de alfametildopa e traz curva pressórica com valores que variam de 150 a 130 mmHg para pressão sistólica e de 90 a 80 mmHg para pressão diastólica. Antes do fim da consulta, ela lhe questiona como e para quando será prevista a resolução dessa gestação. O que você dirá?
Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (proteinúria > 0,3g/24h) e gestação > 34 semanas → resolução na 37ª semana.
A pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, mesmo assintomática e com exames de comprometimento normais, requer resolução da gestação. O momento ideal para gestações entre 34 e 37 semanas é a 37ª semana, preferencialmente por indução do trabalho de parto, se não houver contraindicações obstétricas.
A pré-eclâmpsia é uma condição hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, sendo crucial o seu diagnóstico e manejo adequados para prevenir complicações graves como eclampsia, síndrome HELLP e restrição de crescimento fetal. O acompanhamento em ambulatório de alto risco é fundamental para monitorar a progressão da doença e a vitalidade fetal. O diagnóstico de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, como proteinúria de 1,5g/24h, mesmo na ausência de outros sintomas ou comprometimento de órgãos, exige um plano de resolução da gestação. A decisão sobre o momento do parto é baseada na idade gestacional, gravidade da doença e condições maternas e fetais. Para gestações entre 34 e 37 semanas, a resolução na 37ª semana é a conduta recomendada para equilibrar os riscos maternos e os benefícios da maturidade fetal. A via de parto deve ser individualizada. Na ausência de contraindicações obstétricas, a indução do trabalho de parto é a via preferencial, pois a cesariana não confere proteção adicional à mãe ou ao feto em comparação com o parto vaginal bem conduzido. O uso de anti-hipertensivos como a alfametildopa visa controlar a pressão arterial materna, mas não cura a pré-eclâmpsia, que só é resolvida com o parto.
A pré-eclâmpsia é considerada grave na presença de proteinúria > 0,3g/24h ou relação proteína/creatinina > 0,3, associada a hipertensão, ou na presença de sinais e sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica, plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas, insuficiência renal ou edema pulmonar.
Em gestações com pré-eclâmpsia grave, a resolução é indicada entre 34 e 37 semanas. Se a gestante estiver assintomática e com exames estáveis, a resolução pode ser planejada para a 37ª semana.
A via de parto preferencial na pré-eclâmpsia grave é a vaginal, através da indução do trabalho de parto, desde que não haja contraindicações obstétricas. A cesariana é reservada para indicações obstétricas ou falha na indução.
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