Manejo da Pré-eclâmpsia Grave e Trabalho de Parto

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026

Enunciado

Parturiente, 20 anos de idade, primigesta, 33 semanas de idade gestacional, refere dor em baixo ventre e contrações há 5 horas, associada à cefaleia sem escotomas. Apresentou aumento da pressão arterial com 28 semanas, utilizando metildopa 500 mg de 6 em 6 horas. Exame físico: PA = 130x80 mmHg, edema de membros inferiores 3+/4+, dinâmica uterina 3 contrações de 40 segundos em 10 minutos, apresentação cefálica e dorso a esquerda, cardiotocografia categoria I. Toque vaginal: colo com dilatação de 1 cm, grosso, posterior. Exames laboratoriais realizados há um dia: hemoglobina = 11,2 g/dL, plaquetas = 130.000 plaquetas/mm³, TGO = 75 UI/L, Urina tipo 1 com proteinúria 2+/4+. Qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Parto cesáreo e sulfato de magnésio.
  2. B) Assistência do trabalho de parto e sulfato de magnésio.
  3. C) Inibição do trabalho de parto com nifedipino e betametasona.
  4. D) Inibição do trabalho de parto com sulfato de magnésio e betametasona.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave + Trabalho de parto → Sulfatar + Assistir parto (não inibir).

Resumo-Chave

Em gestações com sinais de gravidade (como alteração de enzimas hepáticas), a inibição do trabalho de parto é contraindicada; deve-se focar na prevenção de eclampsia e assistência ao parto.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma doença multissistêmica caracterizada por hipertensão após 20 semanas e proteinúria ou disfunção orgânica. O manejo depende da idade gestacional e da presença de sinais de gravidade. Em pacientes com 33 semanas e sinais laboratoriais de gravidade (TGO elevada), a conduta expectante é desencorajada devido ao risco de complicações maternas graves. O uso do sulfato de magnésio é obrigatório para prevenir eclâmpsia e oferecer neuroproteção fetal. Se a paciente já está em trabalho de parto ativo (dinâmica presente e dilatação), a via de parto deve ser preferencialmente vaginal, reservando a cesárea para indicações obstétricas habituais. A corticoterapia para maturação pulmonar pode ser considerada se houver tempo hábil, mas não deve retardar o parto em casos de deterioração materna franca.

Perguntas Frequentes

Por que não realizar tocólise neste caso?

A tocólise (inibição do trabalho de parto) é contraindicada na presença de sinais de gravidade de pré-eclâmpsia ou instabilidade materna/fetal. No caso descrito, a paciente apresenta elevação de TGO (transaminases) e plaquetopenia leve, sugerindo iminência de Síndrome HELLP ou pré-eclâmpsia grave. Nestas situações, o prolongamento da gestação oferece mais riscos do que benefícios, como o descolamento prematuro de placenta ou agravamento da disfunção orgânica materna. Portanto, se o trabalho de parto já se iniciou espontaneamente em uma gestação com gravidade, a conduta correta é permitir a evolução do parto sob vigilância estreita, garantindo a estabilização da paciente.

Qual a função do Sulfato de Magnésio nesta paciente?

O sulfato de magnésio tem duas funções primordiais aqui: a profilaxia de crises convulsivas (eclâmpsia) na mãe, devido aos sinais de gravidade da pré-eclâmpsia (cefaleia e alteração de TGO), e a neuroproteção fetal, uma vez que o parto ocorrerá abaixo de 34 semanas. É a droga de escolha, superando anticonvulsivantes comuns como diazepam ou fenitoína. O esquema pode ser o de Pritchard (ataque IM e manutenção) ou Zuspan (ataque e manutenção EV). Durante o uso, é mandatório monitorar os reflexos patelares, a frequência respiratória e o débito urinário para evitar a toxicidade pelo magnésio, que pode levar à parada respiratória.

Quais exames definem sinais de gravidade na pré-eclâmpsia?

Os sinais de gravidade incluem: PA sistólica ≥ 160 ou diastólica ≥ 110 mmHg, sinais de iminência de eclâmpsia (cefaleia persistente, escotomas, epigastralgia), edema agudo de pulmão, e alterações laboratoriais específicas. Estas alterações compreendem: creatinina > 1.1 mg/dL, transaminases (TGO/TGP) ao dobro do valor de referência, plaquetopenia < 100.000/mm³ ou evidência de hemólise (LDH elevada ou esquizócitos). A presença de qualquer um destes critérios em uma gestante hipertensa classifica o quadro como grave, exigindo hospitalização imediata, uso de sulfato de magnésio e, frequentemente, a interrupção da gestação dependendo da viabilidade e estabilidade clínica.

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