Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020
Mulher, 32 anos de idade, G3P2C1, idade gestacional 34 semanas e 3 dias, com pré-natal adequadamente realizado, sem antecedente de hipertensão arterial, deu entrada no pronto-socorro com queixa de turvação visual e vômitos há 6 horas. Ao exame: pressão arterial = 160 x 110 mmHg, reflexos vivos, sem aumento de área reflexógena, altura uterina = 32cm, dinâmica uterina ausente, batimentos cardíacos fetais (BCF) = 160 batimentos/minuto, toque vaginal: dilatação = 2cm, colo grosso e posterior. Considerando o diagnóstico inicial, qual é a conduta apropriada neste momento?
PA ≥ 160/110 + sintomas visuais/TGI → Pré-eclâmpsia grave → MgSO4 + Resolução.
A presença de sintomas neurológicos e gastrointestinais em gestante hipertensa caracteriza pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, exigindo estabilização com magnésio e parto imediato.
A pré-eclâmpsia é uma desordem multissistêmica definida pela hipertensão surgida após a 20ª semana de gestação associada à proteinúria ou disfunção orgânica. Quando há sinais de gravidade, como pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, ou sintomas de iminência de eclâmpsia, o risco de complicações maternas graves aumenta drasticamente. O tratamento definitivo é o parto, mas a estabilização com sulfato de magnésio é mandatória para prevenir convulsões. A fisiopatologia envolve uma placentação anômala com falha na invasão trofoblástica das artérias espirais, levando a estresse oxidativo e disfunção endotelial sistêmica.
Os sinais de iminência de eclâmpsia incluem cefaleia persistente ou de forte intensidade, distúrbios visuais como escotomas, turvação visual ou diplopia, dor epigástrica ou no hipocôndrio direito decorrente da distensão da cápsula de Glisson, além de náuseas, vômitos e hiperreflexia. Esses sintomas indicam uma irritabilidade severa do sistema nervoso central e risco iminente de convulsões tônico-clônicas generalizadas. A identificação desses sinais clínicos é mandatória para o início imediato da terapia com sulfato de magnésio, que atua na neuroproteção materna e prevenção de crises convulsivas, independentemente da idade gestacional no momento do diagnóstico.
O esquema mais utilizado é o de Zuspan, que consiste em uma dose de ataque de 4g IV administrada lentamente em 15-20 minutos, seguida de uma dose de manutenção de 1g/h IV em bomba de infusão contínua. Outra opção válida é o esquema de Pritchard, que utiliza 4g IV de ataque e 10g IM (5g em cada nádega), seguido de 5g IM a cada 4 horas. Durante a administração, a monitorização rigorosa é essencial, focando na diurese (deve ser >25ml/h), presença de reflexos patelares e frequência respiratória (>12-16 irpm). Caso ocorra toxicidade por magnésio, o antídoto indicado é o gluconato de cálcio 10%.
A resolução é indicada imediatamente em gestações ≥ 37 semanas. Em casos de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, como no caso clínico apresentado (sintomas neurológicos e PA severamente elevada), a interrupção da gestação é indicada independentemente da idade gestacional após a estabilização hemodinâmica materna e início do sulfato de magnésio. Se houver instabilidade materna ou fetal, ou se o colo uterino for desfavorável para indução rápida, a via de parto preferencial é a cesariana (via alta). O objetivo principal é prevenir complicações fatais como o descolamento prematuro de placenta, AVC hemorrágico e a própria eclâmpsia.
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