Pré-eclâmpsia com Sinais de Gravidade: Conduta e Tratamento

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Primípara, 20 anos, 36 semanas de gestação, procurou atendimento em emergência de maternidade terciária com queixa de cefaleia occipital, epigastralgia, náuseas, escotomas e turvação visual. Ao exame, apresenta pressão arterial de 160x100 mmHg, pulso 90 bpm, ausculta cardiopulmonar sem alterações. dinâmica uterina ausente e batimentos cardiofetais = 140 bpm. Cardiotocografia Categoria I. Traços de proteína na avaliação da urina por fita. Hematócrito, Hemoglobina, Plaquetas, Creatinina, Bilirrubinas Totais, Transaminase oxalacética e Desidrogenase Láctica dentro dos níveis da normalidade. Diante deste quadro clínico, qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Indicar cesárea para resolução imediata da gestação.
  2. B) Internação, cardiotocografia seriada e aguardar início espontâneo do parto.
  3. C) Iniciar corticoide e indicar a resolução da gestação com 37 semanas.
  4. D) Prescrever analgésico e metildopa. Aguardar a resolução da gestação a termo.
  5. E) Iniciar sulfato de magnésio e indicar a resolução da gestação.

Pérola Clínica

Sinais de gravidade (cefaleia/escotomas) + PA ≥ 140/90 → Sulfato de Mg + Parto.

Resumo-Chave

A presença de sintomas premonitórios (cefaleia, epigastralgia, distúrbios visuais) em gestante hipertensa caracteriza pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, exigindo neuroproteção e interrupção da gravidez.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica definida por hipertensão após 20 semanas de gestação associada a proteinúria ou disfunção orgânica. Quando surgem sintomas neurológicos ou dor abdominal intensa, classifica-se como pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (antigamente chamada de iminência de eclâmpsia). Neste caso clínico, a paciente apresenta sintomas clássicos de neuroirritabilidade e dor visceral (cefaleia, escotomas, epigastralgia). Mesmo com exames laboratoriais normais, a clínica é soberana para definir a gravidade. A conduta imediata deve ser a prevenção de convulsões com sulfato de magnésio e a programação da resolução da gestação, pois a manutenção da gravidez nessas condições eleva drasticamente o risco de complicações maternas graves como descolamento prematuro de placenta e AVC.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de iminência de eclâmpsia?

Os sinais incluem cefaleia persistente (geralmente occipital ou frontal), distúrbios visuais (escotomas, turvação, diplopia), dor epigástrica ou no hipocôndrio direito (distensão da cápsula de Glisson) e hiperreflexia tendinosa.

Como é feita a administração do Sulfato de Magnésio?

Pode ser feito pelo esquema de Zuspan (ataque IV 4g + manutenção IV 1-2g/h) ou Pritchard (ataque 4g IV + 10g IM, manutenção 5g IM a cada 4h). É fundamental monitorar reflexo patelar, frequência respiratória e débito urinário para evitar intoxicação.

Qual a indicação de interrupção da gestação na pré-eclâmpsia?

Na pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, aguarda-se 37 semanas. Com sinais de gravidade, a interrupção é indicada após a estabilização materna, independentemente da idade gestacional se > 34 semanas. Entre 24-34 semanas, pode-se tentar corticoterapia se houver estabilidade, mas sinais de iminência de eclâmpsia geralmente impõem o parto imediato.

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