Manejo da Pré-Eclâmpsia Grave: Anti-hipertensivos e Magnésio

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020

Enunciado

Uma gestante com 35 semanas de idade gestacional dá entrada no pronto atendimento obstétrico com queixa de cefaleia intensa e ""visão embaçada"". Notou ainda que vem urinando pouco ao longo dos últimos dois dias. Ao exame, não há dinâmica uterina, BCF = 90 bpm, e o colo é grosso, pérvio para uma polpa digital ao toque vaginal. Apresenta PA = 160 mmHg x 110 mmHg em duas aferições, frequência cardíaca = 102 bpm, frequência respiratória = 20 ipm e SatO₂ = 97% em ar ambiente. Amostra isolada de urina com 3+ de proteinúria. Considerando esse caso clínico e os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. O manejo inicial da paciente deve incluir, obrigatoriamente, um anti-hipertensivo como hidralazina e sulfato de magnésio, atentando para sinais de intoxicação por esse último.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

PA ≥ 160/110 + sintomas visuais/cefaleia = Sulfato de Magnésio IMEDIATO.

Resumo-Chave

A pré-eclâmpsia com sinais de gravidade exige controle pressórico agudo com hidralazina e profilaxia de crises convulsivas com sulfato de magnésio, monitorando rigorosamente reflexos e diurese.

Contexto Educacional

A paciente apresenta um quadro clássico de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (hipertensão grave, sintomas neurológicos e oligúria) associado a sofrimento fetal agudo (bradicardia fetal sustentada). Nestes casos, a estabilização materna é a prioridade absoluta antes da interrupção da gestação. O sulfato de magnésio é a droga de escolha para prevenção e tratamento de convulsões eclâmpticas, sendo superior a anticonvulsivantes comuns como fenitoína ou diazepam. O manejo medicamentoso deve ser concomitante à avaliação da vitalidade fetal. A bradicardia fetal (BCF 90 bpm) sugere uma urgência obstétrica, possivelmente um descolamento prematuro de placenta (DPP) oculto ou insuficiência placentária aguda grave. Após a estabilização com hidralazina e início do ataque de magnésio, a via de parto mais rápida (geralmente cesariana de emergência) deve ser providenciada, dado o comprometimento fetal e a idade gestacional de 35 semanas.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios de gravidade na pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é considerada grave na presença de qualquer um dos seguintes: PA sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg (em duas aferições); sinais de iminência de eclâmpsia (cefaleia intensa, alterações visuais como escotomas, dor epigástrica ou em hipocôndrio direito); edema agudo de pulmão; disfunção renal (creatinina > 1,1 mg/dL); trombocitopenia (< 100.000/mm³); ou elevação de transaminases ao dobro do normal. A presença de sofrimento fetal, como a bradicardia fetal (BCF 90 bpm) citada no caso, também indica a necessidade de intervenção imediata.

Como realizar a monitorização do uso de Sulfato de Magnésio?

A monitorização é clínica e deve ser feita de hora em hora para detectar precocemente a intoxicação por magnésio. Os três pilares são: 1) Presença de reflexos patelares (o primeiro sinal de toxicidade é a hiporreflexia/arreflexia); 2) Frequência respiratória (deve estar acima de 12-16 ipm, pois o magnésio causa depressão respiratória); 3) Diurese (deve ser > 25-30 ml/h, pois o magnésio é de excreção exclusivamente renal). Se houver sinais de intoxicação, deve-se suspender a infusão e administrar Gluconato de Cálcio 10% (antídoto).

Qual o objetivo do uso da Hidralazina neste cenário?

A hidralazina é um vasodilatador de ação rápida utilizado para o controle da crise hipertensiva (PA ≥ 160/110 mmHg) na gestação. O objetivo não é normalizar a pressão para níveis de 120/80 mmHg, mas sim reduzir a PA para níveis seguros (geralmente entre 140-150/90-100 mmHg) para prevenir complicações maternas graves, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico, sem comprometer o fluxo sanguíneo uteroplacentário, o que poderia agravar o sofrimento fetal.

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