Manejo da Pré-eclâmpsia Grave: Diagnóstico e Conduta

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 23 anos de idade, primigesta com 33 semanas e 3 dias, vem à Maternidade para atendimento com queixa de turvação visual há um dia. Aferiu a pressão em casa: 160X110mmHg. Ao exame físico: bom estado geral, corada, PA: 165X110mmHg, FC: 100bpm, altura uterina: 34cm, batimentos cardíacos fetais: 144bpm, tônus uterino: sem alterações, dinâmica uterina: ausente e movimentos fetais presentes. Ao exame especular: conteúdo vaginal fisiológico e ao toque vaginal: colo fechado. Membros inferiores: edema +2/4+. Além da realização dos exames laboratoriais, de imagem e confirmação diagnóstica, a paciente foi internada para iniciar tratamento. Frente ao relato, indique o diagnóstico e a medicação venosa para prevenção da evolução do quadro.

Alternativas

Pérola Clínica

PA ≥ 160/110 + sintomas visuais/cefaleia = Pré-eclâmpsia Grave → Sulfato de Magnésio IMEDIATO.

Resumo-Chave

A pré-eclâmpsia com sinais de gravidade exige internação, controle pressórico e profilaxia de convulsões com Sulfato de Magnésio (esquema Zuspan ou Pritchard).

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morte materna no Brasil. Caracteriza-se pelo aparecimento de hipertensão após a 20ª semana de gestação associada à proteinúria ou disfunção orgânica. Quando a paciente apresenta níveis pressóricos muito elevados (≥ 160/110 mmHg) ou sintomas de iminência de eclâmpsia (cefaleia, distúrbios visuais, dor epigástrica), o risco de convulsões tônico-clônicas generalizadas (eclâmpsia) aumenta significativamente. O tratamento definitivo é o parto, mas a estabilização materna é prioritária. O uso do Sulfato de Magnésio é o padrão-ouro para prevenção e tratamento de convulsões, agindo no sistema nervoso central e na junção neuromuscular. O controle da pressão arterial deve ser feito com anti-hipertensivos de ação rápida (como Hidralazina ou Nifedipina) para manter a PA em níveis seguros, evitando quedas bruscas que comprometam a perfusão placentária.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para pré-eclâmpsia com sinais de gravidade?

Os critérios incluem PA sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, trombocitopenia (< 100.000), disfunção hepática (transaminases 2x o normal), insuficiência renal (creatinina > 1,1 mg/dL), edema agudo de pulmão ou sintomas cerebrais/visuais (cefaleia persistente, escotomas, turvação visual). A presença de qualquer um destes em uma gestante hipertensa define o quadro grave.

Como é feito o esquema de Zuspan para Sulfato de Magnésio?

O esquema de Zuspan consiste em uma dose de ataque de 4g IV (diluídos a 10-20%) administrados lentamente em 15-20 minutos, seguida por uma dose de manutenção de 1g/h em infusão contínua por bomba de infusão. É o esquema preferencial em ambiente hospitalar com monitorização adequada, devendo ser mantido por 24 horas após o parto ou após a última crise.

Quais os sinais de toxicidade pelo magnésio?

A monitorização da paciente deve ser rigorosa, observando-se: presença de reflexo patelar (sua ausência é o primeiro sinal de toxicidade), frequência respiratória (deve ser > 12-14 irpm) e débito urinário (deve ser > 25-30 ml/h, pois o magnésio é de excreção renal). Caso ocorra toxicidade, o antídoto é o Gluconato de Cálcio 10% (10ml IV).

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