MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma gestante secundigesta, com 32 semanas de idade gestacional, procura o pronto-atendimento obstétrico queixando-se de dor persistente em andar superior do abdome e edema importante em membros inferiores que piorou nos últimos três dias. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, consciente e orientada. Sua pressão arterial, aferida após repouso e com técnica adequada, é de 155x95 mmHg (confirmada após 4 horas). A ausculta fetal revela batimentos cardíacos fetais de 144 bpm, com boa movimentação. O exame físico abdominal demonstra dor à palpação profunda em hipocôndrio direito. Foram solicitados exames laboratoriais, cujos resultados estão apresentados na tabela abaixo: | Exame | Resultado | Valor de Referência | | :--- | :---: | :---: | | Plaquetas | 92.000/mm³ | 150.000 - 450.000/mm³ | | Creatinina | 0,8 mg/dL | 0,4 - 0,9 mg/dL | | LDH (Desidrogenase Láctica) | 780 U/L | < 600 U/L | | TGO (AST) | 82 U/L | < 35 U/L | | Ácido Úrico | 6,2 mg/dL | 2,0 - 5,0 mg/dL | Considerando o quadro clínico e os achados laboratoriais, a hipótese diagnóstica e a conduta imediata mais adequada são:
PA ≥ 140/90 + Plaquetopenia (<100k) ou LDH ↑ ou Dor em HD = Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade → Internar + Sulfato de Mg.
A presença de disfunção orgânica (plaquetopenia, LDH elevado) em gestante hipertensa define pré-eclâmpsia grave, independentemente da proteinúria, exigindo profilaxia de convulsões.
A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de mortalidade materna no Brasil, caracterizada por uma disfunção endotelial sistêmica. O caso clínico apresenta uma gestante com hipertensão associada a sinais claros de gravidade: plaquetopenia (< 100.000/mm³), elevação de LDH (indicativo de hemólise ou dano tecidual) e dor em hipocôndrio direito (sugerindo distensão da cápsula de Glisson). Embora o quadro caminhe para uma Síndrome HELLP, a conduta imediata e prioritária em qualquer pré-eclâmpsia com sinais de gravidade é a internação hospitalar para monitorização rigorosa e o início da sulfatoterapia profilática para prevenir a eclâmpsia. A interrupção da gestação deve ser planejada após a estabilização materna, considerando a idade gestacional e a vitalidade fetal, mas a prioridade inicial é o controle do risco de convulsões e complicações sistêmicas.
Os sinais de gravidade incluem: PA sistólica ≥ 160 ou diastólica ≥ 110 mmHg, sinais de iminência de eclâmpsia (cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica ou em hipocôndrio direito), edema agudo de pulmão, creatinina > 1,1 mg/dL, plaquetopenia < 100.000/mm³, e elevação de transaminases hepáticas (TGO/TGP) ao dobro do valor de referência.
O padrão-ouro é o Sulfato de Magnésio, utilizando os esquemas de Zuspan (ataque e manutenção endovenosa) ou Pritchard (ataque endovenoso e intramuscular, manutenção intramuscular). Durante o uso, é obrigatório monitorar a toxicidade através da presença do reflexo patelar, frequência respiratória (>12-16 irpm) e diurese (>25-30 ml/h). O antídoto é o gluconato de cálcio 10%.
Não. De acordo com as diretrizes atuais (ACOG e FEBRASGO), a pré-eclâmpsia pode ser diagnosticada na ausência de proteinúria se houver hipertensão de início recente (após 20 semanas) associada a qualquer sinal de gravidade ou evidência de disfunção orgânica, como insuficiência renal, lesão hepática, complicações neurológicas ou distúrbios hematológicos.
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