INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021
Primigesta de 18 anos de idade, com 37 semanas de idade gestacional, chega ao pronto atendimento com queixa de cefaleia intensa. Refere também visualização de pontos pretos. Nega outras queixas. Pré-natal até o momento sem intercorrências. Ao exame encontra-se lúcida e orientada, com muita dor. A pressão arterial é de 160/100 mmHg, mantida após repouso em decúbito lateral esquerdo, a frequência cardíaca é de 90 batimentos por minuto. Sem dinâmica uterina, feto com movimentação normal. Batimentos cardíacos fetais = 144 bpm com variabilidade. Edema em membros inferiores de 3 cruzes em 4. Traz um exame de urina, coletado há 2 dias que mostra proteinúria 2 cruzes em 4, sem outras alterações significativas. Foi prescrita hidralazina endovenosa para controle de pressão arterial (PA). Que outra conduta seria necessária no momento e para quê?
Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade: Sulfato de Magnésio é essencial para profilaxia de convulsões.
A paciente apresenta pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (PA ≥ 160/110 mmHg, cefaleia, escotomas). Além do controle da pressão arterial com hidralazina, a conduta prioritária é a administração de sulfato de magnésio para prevenir a ocorrência de convulsões eclampsia, que é uma complicação grave e potencialmente fatal.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica da gravidez caracterizada por hipertensão de início recente (após 20 semanas de gestação) e proteinúria, ou hipertensão com sinais de disfunção de órgãos-alvo. A pré-eclâmpsia com sinais de gravidade é definida pela presença de pressão arterial elevada (≥ 160/110 mmHg) e/ou sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais (escotomas, diplopia), dor epigástrica ou em quadrante superior direito, ou achados laboratoriais de disfunção orgânica. É uma condição grave que pode evoluir para eclâmpsia (convulsões) e outras complicações maternas e fetais. O manejo da pré-eclâmpsia com sinais de gravidade é uma emergência obstétrica que exige intervenção rápida e eficaz. Além do controle da pressão arterial, que é fundamental para prevenir acidentes vasculares cerebrais maternos, a profilaxia de convulsões é uma prioridade absoluta. O sulfato de magnésio é a droga de escolha para essa finalidade, demonstrando superioridade sobre outros anticonvulsivantes na prevenção da eclâmpsia. Ele não é primariamente um anti-hipertensivo, mas sim um neuroprotetor. A conduta inclui a internação hospitalar, monitoramento materno e fetal rigoroso, controle da pressão arterial com anti-hipertensivos intravenosos (como hidralazina, labetalol) e a administração de sulfato de magnésio. A decisão sobre o momento do parto é crucial e geralmente indicada em gestações a termo (≥ 37 semanas) ou em casos de agravamento materno/fetal, mesmo em idades gestacionais mais precoces. O conhecimento aprofundado dessas condutas é vital para residentes em Ginecologia e Obstetrícia.
Os sinais de gravidade na pré-eclâmpsia incluem pressão arterial ≥ 160/110 mmHg, cefaleia persistente, distúrbios visuais (escotomas, visão turva), dor epigástrica ou em quadrante superior direito, plaquetopenia, disfunção hepática, insuficiência renal e edema pulmonar.
A principal indicação do sulfato de magnésio na pré-eclâmpsia é a profilaxia e o tratamento das convulsões eclâmpticas. Ele atua como um anticonvulsivante, estabilizando as membranas neuronais e reduzindo a excitabilidade cortical, prevenindo a ocorrência de eclâmpsia.
O controle da pressão arterial na pré-eclâmpsia grave deve ser feito com anti-hipertensivos intravenosos, como hidralazina, labetalol ou nifedipino oral. O objetivo é reduzir a PA para níveis seguros (geralmente 140-150/90-100 mmHg) para prevenir complicações maternas, sem comprometer o fluxo placentário.
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