HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2020
Paciente, 16 anos, G1 P0, admitida na emergência da maternidade com 37 semanas com queixa de cefaleia. Ao exame apresentava PA: 180x110 mmHg, FC: 95 bpm, FU: 34 cm, metrossístoles ausentes, tônus uterino normal, bcf: 130 bpm. Ao toque: colo em centralização, 60% apagado, permeável 1 polpa digital, apresentação cefálica, bolsa íntegra. A conduta adequada para o caso é
PA ≥ 160/110 + sintomas → Estabilizar (MgSO4 + Anti-hipertensivo) → Parto.
Em gestantes com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, a prioridade absoluta é a estabilização materna com sulfato de magnésio e controle pressórico antes de proceder com a interrupção da gestação.
A pré-eclâmpsia é definida pela hipertensão surgida após 20 semanas de gestação associada à proteinúria ou disfunção orgânica. Quando a pressão arterial atinge níveis de 160/110 mmHg ou surgem sintomas premonitórios (cefaleia, distúrbios visuais, dor epigástrica), classifica-se como pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. O manejo imediato foca na prevenção da encefalopatia hipertensiva e da eclâmpsia. A hidralazina venosa ou o labetalol são as drogas de escolha para o controle da crise hipertensiva aguda, visando manter a PA diastólica entre 90-100 mmHg para evitar hipoperfusão placentária. O sulfato de magnésio deve ser iniciado prontamente. Uma vez estabilizada a paciente, a via de parto é decidida com base nas condições obstétricas, sendo a indução uma opção válida mesmo em casos graves, desde que o binômio esteja monitorado.
O sulfato de magnésio é o padrão-ouro para a prevenção e tratamento de convulsões eclâmpticas. Ele atua no sistema nervoso central reduzindo a excitabilidade neuronal e promovendo vasodilatação cerebral. Deve ser administrado em pacientes com pré-eclâmpsia com sinais de gravidade ou eclâmpsia estabelecida, utilizando protocolos como o de Zuspan (venoso) ou Pritchard (misto). A monitorização clínica da toxicidade é essencial, observando o reflexo patelar, a frequência respiratória e o débito urinário, já que a excreção é exclusivamente renal.
A interrupção da gestação é o tratamento definitivo da pré-eclâmpsia. Em gestações ≥ 37 semanas, a conduta é a interrupção após estabilização materna. Em gestações pré-termo (< 34 semanas), pode-se tentar o manejo conservador se não houver sinais de deterioração materna ou fetal grave. No entanto, a presença de complicações como eclâmpsia, edema agudo de pulmão, descolamento prematuro de placenta ou síndrome HELLP impõe a interrupção imediata, independentemente da idade gestacional.
A via de parto na pré-eclâmpsia é preferencialmente vaginal, a menos que haja contraindicação obstétrica. A indução do parto com ocitocina ou métodos mecânicos é recomendada se o colo for favorável ou se a paciente estiver estável. A cesariana deve ser reservada para indicações obstétricas clássicas ou quando a indução falha ou há sofrimento fetal agudo. É fundamental garantir a estabilização hemodinâmica e a profilaxia de convulsões durante todo o trabalho de parto.
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