HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2021
Gilda, primigesta de 34 anos com 37 semanas de idade gestacional, estava muito preocupada. Durante consulta de pré-natal, revelou que vinha apresentando cansaço e edema de MMII com piora nos últimos dias. Queixou-se de tonturas, cefaleia e visão turva desde o momento em que se levantou naquele dia. Na consulta apresentava PA = 143 x 101 mmHg, revelando elevação dos níveis pressóricos quando comparada às medidas obtidas anteriormente. O teste rápido de proteinúria foi positivo. Qual o diagnóstico e a conduta mais adequada?
Pré-eclâmpsia + sintomas neurológicos (cefaleia, visão turva) = Iminência de Eclâmpsia → Emergência obstétrica.
A paciente apresenta hipertensão gestacional com proteinúria e sintomas neurológicos (cefaleia, tontura, visão turva), que são critérios de gravidade para pré-eclâmpsia. Essa condição é classificada como iminência de eclâmpsia e exige encaminhamento imediato à emergência obstétrica para avaliação e manejo, incluindo profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio e planejamento do parto.
A pré-eclâmpsia é uma condição hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão de início após 20 semanas de gestação e proteinúria. Quando associada a sinais e sintomas de disfunção de órgãos-alvo, como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica, plaquetopenia ou elevação de enzimas hepáticas, é classificada como pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, ou iminência de eclâmpsia. Esta condição representa um risco iminente de convulsões (eclâmpsia) e outras complicações graves para a mãe e o feto. O diagnóstico precoce e a intervenção imediata são cruciais. A presença de sintomas neurológicos como tontura, cefaleia e visão turva indica a necessidade de avaliação urgente. A conduta mais adequada é o encaminhamento da gestante à emergência obstétrica para internação, monitoramento intensivo, controle da pressão arterial e início da profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio. A idade gestacional e as condições maternas e fetais determinarão o momento e a via do parto, que é a única cura definitiva para a pré-eclâmpsia. Residentes devem estar aptos a identificar rapidamente os sinais de gravidade da pré-eclâmpsia e a iniciar o manejo adequado, pois o atraso pode levar a desfechos maternos e perinatais desfavoráveis. A educação da paciente sobre os sinais de alerta também é fundamental no pré-natal.
Os critérios incluem pressão arterial ≥ 160/110 mmHg, plaquetas < 100.000/mm³, creatinina sérica > 1,1 mg/dL ou duplicação da creatinina, enzimas hepáticas elevadas (AST/ALT > 2x o normal), edema pulmonar, sintomas visuais ou cerebrais persistentes (cefaleia, visão turva) e dor epigástrica ou em quadrante superior direito.
A conduta inicial é o encaminhamento imediato para a emergência obstétrica, internação, monitoramento materno-fetal rigoroso, controle da pressão arterial e início da profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio. O planejamento do parto deve ser considerado, especialmente em gestações a termo.
O sulfato de magnésio é a medicação de escolha para a profilaxia e tratamento das convulsões eclâmpticas. Ele atua como um anticonvulsivante e neuroprotetor, reduzindo o risco de eclâmpsia em gestantes com pré-eclâmpsia grave ou iminência de eclâmpsia.
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