Pré-eclâmpsia Grave: Conduta Imediata e Sulfato de Magnésio

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher,17a, G1P0A0, idade gestacional= 34 semanas e 5 dias, procura o Pronto Atendimento com queixa de cefaleia occipital intensa e náusea iniciadas hoje. Refere edema de membros inferiores e ganho ponderal de 3Kg há duas semanas. Iniciou pré-natal tardiamente, com consultas irregulares. Na última consulta, há quatro semanas, apresentava PA=100/62mmHg e ganho de peso adequado. Antecedentes pessoais: nega patologias anteriores, uso de medicações, tabagismo ou uso de substâncias psicoativas. Exame físico: PA=132/80mmHg; FC=90bpm; T=36,8°C; altura uterina=32cm, movimentos fetais presentes; BCF=140bpm; membros inferiores=edema 3+/4+; reflexos tendinosos profundos exacerbados (4+).A CONDUTA TERAPÊUTICA IMEDIATA É:

Alternativas

Pérola Clínica

Gestante com cefaleia, náusea, edema e hiperreflexia (4+) → Pré-eclâmpsia grave/iminência de eclâmpsia = Sulfato de Magnésio.

Resumo-Chave

A paciente, gestante de 34 semanas, apresenta sintomas como cefaleia, náusea, edema e, mais importante, hiperreflexia (reflexos tendinosos profundos exacerbados 4+). Estes são sinais de pré-eclâmpsia com características de gravidade ou iminência de eclâmpsia, mesmo com a PA não atingindo os critérios de hipertensão grave. A conduta terapêutica imediata é a administração de sulfato de magnésio para profilaxia de convulsões.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, que se manifesta após a 20ª semana, caracterizada por hipertensão e proteinúria. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. A forma grave da doença, ou a iminência de eclâmpsia, exige reconhecimento e intervenção imediatos para prevenir complicações como a eclâmpsia, síndrome HELLP, acidente vascular cerebral e descolamento prematuro de placenta. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve disfunção endotelial generalizada, vasoconstrição e ativação da cascata de coagulação. Os sintomas de gravidade, como cefaleia intensa, distúrbios visuais e hiperreflexia, indicam comprometimento do sistema nervoso central e risco iminente de convulsões. A hiperreflexia, em particular, é um sinal de alerta importante que sugere irritabilidade cortical e a necessidade urgente de intervenção. A conduta terapêutica imediata na pré-eclâmpsia com características de gravidade ou iminência de eclâmpsia é a administração de sulfato de magnésio. Este medicamento é eficaz na prevenção e tratamento das convulsões eclâmpticas. Além disso, o controle da pressão arterial e a avaliação para interrupção da gestação, considerando a idade gestacional e as condições maternas e fetais, são componentes essenciais do manejo. O objetivo é estabilizar a mãe e garantir o melhor desfecho possível para ambos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas que indicam pré-eclâmpsia com características de gravidade?

Sinais e sintomas de pré-eclâmpsia grave incluem pressão arterial ≥160/110 mmHg, cefaleia persistente e intensa, distúrbios visuais, dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, náuseas/vômitos, oligúria, edema pulmonar, disfunção hepática, plaquetopenia (<100.000) e, como no caso, hiperreflexia (reflexos tendinosos profundos exacerbados).

Por que o sulfato de magnésio é a conduta terapêutica imediata na iminência de eclâmpsia?

O sulfato de magnésio é o fármaco de escolha para a profilaxia e tratamento das convulsões na eclâmpsia e na iminência de eclâmpsia. Ele atua como um anticonvulsivante e neuroprotetor, estabilizando a membrana neuronal e reduzindo a excitabilidade cerebral, prevenindo assim a ocorrência de convulsões que podem ser fatais para a mãe e o feto.

Qual a diferença entre pré-eclâmpsia, pré-eclâmpsia grave e eclâmpsia?

Pré-eclâmpsia é hipertensão gestacional com proteinúria após 20 semanas. Pré-eclâmpsia grave é a pré-eclâmpsia com características de gravidade (sintomas ou achados laboratoriais específicos). Eclâmpsia é a ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em uma mulher com pré-eclâmpsia, não atribuíveis a outras causas.

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