Pré-eclâmpsia: Fisiopatologia e Marcadores Angiogênicos

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Os distúrbios hipertensivos são a principal causa de morbimortalidade na gestação e os responsáveis por grande parte dos partos prematuros no mundo. Sobre os distúrbios hipertensivos na gestação, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) em pacientes com pré-eclâmpsia leve, a terapia anti-hipertensiva deve ser iniciada visando reduzir os riscos de episódios de hipertensão severa, internação neonatal e prolongamento da gestação
  2. B) na pré-eclâmpsia, observa-se elevação de níveis séricos de fatores antiangiogênicos e redução de fatores angiogênicos, o que pode preceder em semanas o aparecimento das manifestações clínicas da doença
  3. C) em pacientes com incisura bilateral de artérias uterinas, identificada na dopplerfluxometria de segundo trimestre, é indicada a profilaxia com aspirina em baixas doses, visando reduzir o risco de pré-eclâmpsia
  4. D) em pacientes com eclâmpsia, o controle da crise convulsiva deve ser realizado com benzodiazepínico, como droga de primeira escolha, seguida da administração de sulfato de magnésio para profilaxia de convulsões recorrentes

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia = desequilíbrio angiogênico (↑ fatores antiangiogênicos, ↓ fatores angiogênicos) que precede sintomas.

Resumo-Chave

A pré-eclâmpsia é caracterizada por uma disfunção endotelial generalizada, resultante de um desequilíbrio entre fatores angiogênicos e antiangiogênicos. Há um aumento de sFlt-1 (solúvel fms-like tirosina quinase-1) e uma diminuição de PlGF (fator de crescimento placentário), que podem ser detectados semanas antes do início dos sintomas clínicos, refletindo a disfunção placentária subjacente.

Contexto Educacional

Os distúrbios hipertensivos da gestação, incluindo a pré-eclâmpsia, representam a principal causa de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica de etiologia placentária, caracterizada por hipertensão e proteinúria (ou disfunção de órgãos-alvo) após 20 semanas de gestação. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve duas fases: uma primeira fase de placentação anormal com invasão trofoblástica inadequada das artérias espiraladas, levando à hipóxia placentária. A segunda fase é sistêmica, com liberação de fatores placentários na circulação materna, causando disfunção endotelial generalizada. Essa disfunção é mediada por um desequilíbrio entre fatores angiogênicos (como PlGF) e antiangiogênicos (como sFlt-1), que podem ser detectados semanas antes das manifestações clínicas. O manejo da pré-eclâmpsia varia conforme a gravidade. A profilaxia com aspirina em baixas doses é recomendada para gestantes de alto risco. O tratamento envolve o controle da pressão arterial e, em casos graves ou eclâmpsia, o uso de sulfato de magnésio para prevenção e tratamento de convulsões. A cura definitiva é o parto, e o momento da interrupção da gestação é crucial para otimizar os resultados maternos e fetais.

Perguntas Frequentes

Qual o papel dos fatores angiogênicos e antiangiogênicos na pré-eclâmpsia?

Na pré-eclâmpsia, ocorre um desequilíbrio entre esses fatores. Há um aumento de fatores antiangiogênicos, como o sFlt-1, e uma diminuição de fatores angiogênicos, como o PlGF. Esse desequilíbrio leva à disfunção endotelial generalizada, característica da doença.

Como a dopplerfluxometria das artérias uterinas pode auxiliar na prevenção da pré-eclâmpsia?

A dopplerfluxometria das artérias uterinas no segundo trimestre pode identificar incisuras bilaterais, um marcador de risco para pré-eclâmpsia. Nesses casos, a profilaxia com aspirina em baixas doses é indicada para reduzir o risco de desenvolvimento da doença.

Qual a droga de primeira escolha para o controle da crise convulsiva na eclâmpsia?

O sulfato de magnésio é a droga de primeira escolha para o controle e profilaxia de convulsões recorrentes na eclâmpsia, devido à sua eficácia superior e menor perfil de efeitos adversos em comparação com benzodiazepínicos.

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