AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Gestante de 29 anos, G2P1, com 32 semanas de gestação, comparece à consulta de rotina assintomática. Seus exames revelam pressão arterial de 150 × 95 mmHg em duas aferições com 4 horas de intervalo e proteinúria positiva em teste de fita urinária. Apresenta crescimento fetal adequado e sem queixas no momento. Assinale a alternativa que considera o diagnóstico e a conduta, respectivamente, para essa paciente:
PA ≥ 140/90 + Proteinúria após 20 semanas = Pré-eclâmpsia.
Na pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, a conduta é expectante com controle pressórico e vigilância materno-fetal rigorosa para atingir a maturidade pulmonar.
A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no mundo. Sua fisiopatologia está ligada a uma falha na segunda onda de migração trofoblástica, resultando em má adaptação das artérias espiraladas e estresse oxidativo placentário. Isso gera uma resposta inflamatória sistêmica e disfunção endotelial generalizada. O manejo depende fundamentalmente da idade gestacional e da presença de sinais de gravidade. Em pacientes com 32 semanas e quadro estável (sem sinais de gravidade), o objetivo é evitar complicações maternas graves enquanto se permite o desenvolvimento fetal. A interrupção da gestação só é mandatória antes do termo se houver deterioração materna ou fetal incontrolável. O acompanhamento ambulatorial frequente ou internação para estabilização são estratégias aceitáveis dependendo do protocolo institucional e da aderência da paciente.
A pré-eclâmpsia é definida pelo surgimento de hipertensão arterial (PA ≥ 140/90 mmHg) após a 20ª semana de gestação em mulheres previamente normotensas, associada à proteinúria (≥ 300 mg em 24h, relação proteína/creatinina urinária ≥ 0,3 ou 1+ na fita urinária). Na ausência de proteinúria, o diagnóstico pode ser feito se houver hipertensão associada a disfunções orgânicas (trombocitopenia, insuficiência renal, lesão hepática, sintomas visuais/cerebrais ou edema pulmonar).
Os sinais de gravidade (ou deterioração clínica) incluem: PA sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, iminência de eclâmpsia (cefaleia persistente, escotomas, dor epigástrica), edema agudo de pulmão, creatinina > 1,1 mg/dL, plaquetopenia < 100.000/mm³, e elevação de enzimas hepáticas (dobro do valor de referência). A presença de qualquer um desses sinais muda a classificação para pré-eclâmpsia com sinais de gravidade.
A conduta é preferencialmente conservadora até as 37 semanas. Inclui o controle da pressão arterial com anti-hipertensivos orais (como metildopa ou hidralazina) para manter níveis abaixo de 150/100 mmHg, avaliação laboratorial semanal (hemograma, enzimas hepáticas, creatinina, proteinúria) e vigilância fetal rigorosa (cardiotocografia, perfil biofísico fetal e Doppler). O sulfato de magnésio não está indicado rotineiramente nestes casos, sendo reservado para a prevenção de crises convulsivas na pré-eclâmpsia grave.
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