Pré-eclâmpsia sem Sinais de Gravidade: Diagnóstico e Conduta

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

Gestante de 29 anos, G2P1, com 32 semanas de gestação, comparece à consulta de rotina assintomática. Seus exames revelam pressão arterial de 150 × 95 mmHg em duas aferições com 4 horas de intervalo e proteinúria positiva em teste de fita urinária. Apresenta crescimento fetal adequado e sem queixas no momento. Assinale a alternativa que considera o diagnóstico e a conduta, respectivamente, para essa paciente:

Alternativas

  1. A) Hipertensão gestacional: iniciar metildopa e agendar nova avaliação em 7 dias.
  2. B) Pré-eclâmpsia incipiente: repetir aferições da PA em 48 horas e seguir com pré-natal habitual.
  3. C) Hipertensão crônica: confirmar proteinúria com exames laboratoriais e aguardar evolução do quadro.
  4. D) Pré-eclâmpsia com sinais de deterioração clínica: iniciar sulfato de magnésio, anti-hipertensivo e indicar interrupção da gestação.
  5. E) Pré-eclâmpsia sem sinais de deterioração clínica: iniciar anti-hipertensivo, solicitar exames materno-fetais e manter vigilância ambulatorial.

Pérola Clínica

PA ≥ 140/90 + Proteinúria após 20 semanas = Pré-eclâmpsia.

Resumo-Chave

Na pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, a conduta é expectante com controle pressórico e vigilância materno-fetal rigorosa para atingir a maturidade pulmonar.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no mundo. Sua fisiopatologia está ligada a uma falha na segunda onda de migração trofoblástica, resultando em má adaptação das artérias espiraladas e estresse oxidativo placentário. Isso gera uma resposta inflamatória sistêmica e disfunção endotelial generalizada. O manejo depende fundamentalmente da idade gestacional e da presença de sinais de gravidade. Em pacientes com 32 semanas e quadro estável (sem sinais de gravidade), o objetivo é evitar complicações maternas graves enquanto se permite o desenvolvimento fetal. A interrupção da gestação só é mandatória antes do termo se houver deterioração materna ou fetal incontrolável. O acompanhamento ambulatorial frequente ou internação para estabilização são estratégias aceitáveis dependendo do protocolo institucional e da aderência da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é definida pelo surgimento de hipertensão arterial (PA ≥ 140/90 mmHg) após a 20ª semana de gestação em mulheres previamente normotensas, associada à proteinúria (≥ 300 mg em 24h, relação proteína/creatinina urinária ≥ 0,3 ou 1+ na fita urinária). Na ausência de proteinúria, o diagnóstico pode ser feito se houver hipertensão associada a disfunções orgânicas (trombocitopenia, insuficiência renal, lesão hepática, sintomas visuais/cerebrais ou edema pulmonar).

Quais são os sinais de gravidade na pré-eclâmpsia?

Os sinais de gravidade (ou deterioração clínica) incluem: PA sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, iminência de eclâmpsia (cefaleia persistente, escotomas, dor epigástrica), edema agudo de pulmão, creatinina > 1,1 mg/dL, plaquetopenia < 100.000/mm³, e elevação de enzimas hepáticas (dobro do valor de referência). A presença de qualquer um desses sinais muda a classificação para pré-eclâmpsia com sinais de gravidade.

Qual a conduta na pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade?

A conduta é preferencialmente conservadora até as 37 semanas. Inclui o controle da pressão arterial com anti-hipertensivos orais (como metildopa ou hidralazina) para manter níveis abaixo de 150/100 mmHg, avaliação laboratorial semanal (hemograma, enzimas hepáticas, creatinina, proteinúria) e vigilância fetal rigorosa (cardiotocografia, perfil biofísico fetal e Doppler). O sulfato de magnésio não está indicado rotineiramente nestes casos, sendo reservado para a prevenção de crises convulsivas na pré-eclâmpsia grave.

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