INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma gestante primigesta de 18 anos, com idade gestacional de 35 semanas, comparece ao pronto-socorro do hospital após ser encaminhada pelo médico da unidade básica de saúde (UBS). A carta de encaminhamento solicita avaliação e conduta, devido ao aumento da pressão arterial da paciente e esclarece que ela estava fazendo pré-natal na UBS sem nenhuma intercorrência até o momento, sem comorbidades previas. A paciente refere estar ansiosa, com dor de cabeça intensa e afirma ganho de peso de 3 Kg na última semana. Relata boa movimentação fetal e nega perdas vaginais de líquido ou de sangue. Apresenta pressão arterial de 140 × 90 mmHg, frequência cardíaca de 90 batimentos por minuto e o restante do exame clínico está normal. A altura uterina é de 33 cm, os batimentos cardíacos fetais estão normais com boa variabilidade e constata-se dinâmica uterina ausente. A gestante, diante desse quadro, é medicada com analgésicos, mas permanece sem melhora importante e os níveis pressóricos se mantêm de 140 × 90 mmHg. Considerando o quadro clínico apresentado, deve-se
Gestante 35 sem + PA 140x90 + cefaleia + ganho peso rápido = Suspeita pré-eclâmpsia grave → Internar e investigar.
A gestante apresenta sinais e sintomas sugestivos de pré-eclâmpsia, como hipertensão, cefaleia e ganho de peso rápido, em idade gestacional próxima ao termo. A persistência da hipertensão após analgesia reforça a necessidade de investigação urgente e internação para avaliação de interrupção da gestação.
A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal, afetando cerca de 2-8% das gestações. É uma condição multifacetada, caracterizada por hipertensão e disfunção de órgãos-alvo, que se manifesta após a 20ª semana de gestação. Para residentes, o reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para otimizar os desfechos. A fisiopatologia envolve uma placentação anormal que leva à disfunção endotelial sistêmica, resultando em vasoconstrição, aumento da permeabilidade vascular e ativação plaquetária. Os sintomas como cefaleia, distúrbios visuais, dor epigástrica e ganho de peso rápido são sinais de alerta de gravidade. A persistência da hipertensão após medidas sintomáticas indica a necessidade de investigação aprofundada. No caso apresentado, a gestante de 35 semanas com PA de 140x90 mmHg, cefaleia intensa e ganho de peso rápido, mesmo após analgesia, sugere pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. A conduta correta é a internação imediata para exames complementares de urgência (avaliação de proteinúria, função hepática, renal e plaquetas) e planejamento da interrupção da gestação, considerando a idade gestacional e a gravidade do quadro.
A pré-eclâmpsia é diagnosticada pela presença de hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg) após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo, como cefaleia, distúrbios visuais, dor epigástrica, plaquetopenia ou elevação de enzimas hepáticas.
A interrupção da gestação é indicada em casos de pré-eclâmpsia grave, especialmente após 34 semanas, ou em qualquer idade gestacional se houver deterioração materna ou fetal, como na síndrome HELLP, eclâmpsia iminente ou sofrimento fetal.
Exames urgentes incluem hemograma completo (com plaquetas), função renal (creatinina, ácido úrico), função hepática (AST, ALT, DHL), proteinúria de 24 horas ou relação proteína/creatinina urinária, e avaliação fetal (cardiotocografia, ultrassom com doppler).
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