Pré-eclâmpsia: Diagnóstico e Conduta na Urgência Obstétrica

UFPB/HULW - Hospital Universitário Lauro Wanderley - João Pessoa (PB) — Prova 2020

Enunciado

Luciana está com 33 anos e está na sua primeira gestação. Realizou sua primeira consulta de pré-natal com 12 semanas de idade gestacional estando com IMC de 32 e pressão normal. Retorna na sua terceira consulta de pré-natal na vigésima terceira consulta de gestação com seus exames do primeiro trimestre: glicemia de jejum 80 mg/dl, tipagem sanguínea O+, sorologias para HIV, toxoplasmose, hepatite B e teste rápido para sífilis negativos. Nesta consulta, foi realizada verificação da pressão arterial que foi de 160/90 mmHg e teste rápido com fita de urianálise que demonstrou proteinúria. A partir dos dados apresentados acima, qual seria a alternativa com o diagnóstico e condutas corretas para o caso?

Alternativas

  1. A) Pré eclâmpsia - encaminhar para serviço de urgência obstétrica para avaliação clínico laboratorial.
  2. B) Eclâmpsia - encaminhar para serviço de urgência obstétrica para avaliação clínico laboratorial.
  3. C) Pré eclâmpsia - iniciar medidas não farmacológicas e metildopa 500mg, 1 comprimido 2 x ao dia, para controle de hipertensão.
  4. D) Hipertensão gestacional - iniciar medidas não farmacológicas e metildopa 500mg, 1 comprimido 2 x ao dia, para controle de hipertensão.
  5. E) Hipertensão crônica - iniciar medidas não farmacológicas e metildopa 500mg, 1 comprimido 2 x ao dia, para controle de hipertensão.

Pérola Clínica

Hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg) + proteinúria após 20 semanas de gestação → pré-eclâmpsia; encaminhar para urgência obstétrica.

Resumo-Chave

A paciente apresenta hipertensão (PA 160/90 mmHg) e proteinúria após 20 semanas de gestação (23 semanas), o que configura o diagnóstico de pré-eclâmpsia. Dada a gravidade da pressão arterial (PA ≥ 160/110 mmHg é critério de gravidade), a conduta imediata é encaminhamento para serviço de urgência obstétrica para avaliação e manejo.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica de etiologia desconhecida, caracterizada pelo desenvolvimento de hipertensão e proteinúria após a 20ª semana de gestação, ou no pós-parto. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. Fatores de risco incluem primiparidade, obesidade, gestação múltipla, histórico de pré-eclâmpsia e doenças crônicas como hipertensão e diabetes. O diagnóstico é feito pela elevação da pressão arterial (≥ 140/90 mmHg em duas medidas com intervalo de 4 horas) associada à proteinúria (≥ 300 mg em 24 horas ou fita reagente ≥ 1+). A paciente do caso apresenta PA de 160/90 mmHg e proteinúria na 23ª semana, confirmando o diagnóstico de pré-eclâmpsia. A pressão arterial de 160/90 mmHg já é um sinal de gravidade, embora a definição de pré-eclâmpsia grave inclua PA ≥ 160/110 mmHg ou a presença de outros sinais e sintomas de disfunção orgânica. A conduta para pré-eclâmpsia, especialmente com sinais de gravidade, requer avaliação e manejo hospitalar imediato em um serviço de urgência obstétrica. Isso inclui monitorização rigorosa da mãe e do feto, controle da pressão arterial com anti-hipertensivos seguros na gestação (como metildopa, hidralazina ou nifedipino), e avaliação para interrupção da gestação, que é o único tratamento definitivo. O manejo ambulatorial com apenas medidas não farmacológicas e medicação oral não é apropriado para um quadro de pré-eclâmpsia estabelecida, especialmente com PA elevada.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é diagnosticada pela presença de hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões, com 4h de intervalo) após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria (≥ 0,3g em 24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3 ou fita reagente ≥ 1+).

Quando a pré-eclâmpsia é considerada grave?

A pré-eclâmpsia é grave se a PA for ≥ 160/110 mmHg, ou se houver plaquetopenia, disfunção hepática, insuficiência renal, edema pulmonar, sintomas neurológicos (cefaleia, alterações visuais) ou restrição de crescimento fetal.

Qual a conduta inicial para uma gestante com suspeita de pré-eclâmpsia grave?

A conduta inicial é o encaminhamento imediato para um serviço de urgência obstétrica para avaliação completa, monitorização materno-fetal, controle da pressão arterial e, se necessário, internação e planejamento do parto.

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