CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica de Alagoas — Prova 2021
Gestante, 36 semanas, sem comorbidades, secundigesta com parto normal anterior, vem à maternidade para atendimento pois há 1 dia começou a apresentar turvação visual e edema em membros inferiores. Ao exame físico, além do edema, PA: 150x100mmHg, FC: 82bpm, mucosas normocoradas. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Exame obstétrico: altura uterina: 33cm, apresentação cefálica, batimentos cardíacos fetais: 148bpm, dinâmica uterina ausente, tônus uterino normal. Ao toque vaginal: colo fechado, grosso, posterior.Indique a principal hipótese diagnóstica para o caso.
Hipertensão após 20 sem + Sintomas visuais/cefaleia = Pré-eclâmpsia (mesmo sem proteinúria).
A pré-eclâmpsia é definida pela hipertensão arterial surgida após a 20ª semana associada a proteinúria ou, na ausência desta, a sinais de disfunção de órgãos-alvo.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica de etiologia placentária, caracterizada por vasospasmo generalizado e ativação endotelial. A apresentação clássica envolve hipertensão e proteinúria, mas a compreensão moderna da doença enfatiza que a disfunção de órgãos-alvo é o marcador crítico de risco materno-fetal. Sintomas como turvação visual e edema importante em membros inferiores em uma gestante hipertensa de 36 semanas são sinais de alerta iminente. O manejo envolve o controle pressórico, a prevenção de convulsões com sulfato de magnésio (se houver sinais de gravidade) e a programação do parto, que é a única cura definitiva para a condição, equilibrando a idade gestacional com os riscos de manutenção da gravidez.
A pré-eclâmpsia é diagnosticada quando há hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg) após a 20ª semana de gestação em mulher previamente normotensa, associada a proteinúria (≥ 300mg em 24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3). Na ausência de proteinúria, o diagnóstico pode ser feito se houver sinais de disfunção orgânica: trombocitopenia, insuficiência renal, disfunção hepática, edema pulmonar ou sintomas visuais/cerebrais.
A presença de sintomas como turvação visual, escotomas, cefaleia persistente, dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, além de níveis pressóricos ≥ 160/110 mmHg, indica gravidade. Esses sinais refletem o comprometimento do sistema nervoso central e da cápsula hepática, elevando o risco de eclâmpsia ou ruptura hepática, exigindo manejo imediato e avaliação de interrupção da gestação.
A hipertensão gestacional é a elevação da pressão arterial (≥ 140/90 mmHg) após 20 semanas de gravidez em uma mulher previamente normotensa, mas SEM proteinúria e SEM sinais de disfunção de órgãos-alvo. Se a paciente apresentar qualquer sinal de comprometimento sistêmico (como a turvação visual descrita no caso), o diagnóstico correto passa a ser pré-eclâmpsia.
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