UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021
Em relação à pré-eclâmpsia, assinale a alternativa correta.
AAS profilático (100-150mg à noite, <16 sem) ↓ risco de pré-eclâmpsia grave/precoce em pacientes de risco.
A profilaxia com AAS em baixas doses, iniciada precocemente na gestação (antes de 16 semanas), é uma estratégia eficaz para reduzir a incidência de pré-eclâmpsia, especialmente as formas graves e de início precoce, em gestantes com fatores de risco identificados pelo rastreamento.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão e proteinúria (ou disfunção de órgão-alvo) após 20 semanas de gestação. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. A identificação precoce de pacientes de risco e a implementação de estratégias profiláticas são cruciais para mitigar seus desfechos adversos. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve uma má adaptação placentária inicial, com falha na remodelação das artérias espiraladas, levando à isquemia e liberação de fatores antiangiogênicos e pró-inflamatórios. O rastreamento de risco combina fatores da história clínica, marcadores bioquímicos e Doppler das artérias uterinas. A profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixas doses (100 a 150 mg à noite) é recomendada para gestantes de alto risco. O AAS atua melhorando a perfusão placentária e o balanço entre tromboxano e prostaciclina, reduzindo a vasoconstrição e a agregação plaquetária. Sua eficácia é maximizada quando iniciado antes das 16 semanas de gestação, preferencialmente entre 11 e 14 semanas, e mantido até o parto. Essa intervenção demonstrou reduzir significativamente o risco de desenvolvimento de pré-eclâmpsia precoce e grave, impactando positivamente o prognóstico materno e fetal.
Fatores de risco incluem hipertensão crônica, diabetes pré-gestacional, doença renal crônica, doenças autoimunes (lúpus, SAF), história prévia de pré-eclâmpsia, gestação múltipla, obesidade e idade materna avançada.
O AAS em baixas doses inibe a ciclooxigenase-1 (COX-1) nas plaquetas, reduzindo a produção de tromboxano A2 (vasoconstritor e agregante plaquetário), e tem menor efeito na COX-2 endotelial, permitindo a produção de prostaciclina (vasodilatador), melhorando o balanço protrombótico e a perfusão placentária.
Sim, a proteinúria significativa (≥ 300 mg em 24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3) continua sendo um critério diagnóstico importante para a pré-eclâmpsia, embora o diagnóstico possa ser feito na ausência dela se houver hipertensão gestacional e sinais de disfunção de órgão-alvo.
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