Prevenção de Pré-eclâmpsia: Papel do Cálcio e AAS

CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica de Alagoas — Prova 2021

Enunciado

Gestante, 36 semanas, sem comorbidades, secundigesta com parto normal anterior, vem à maternidade para atendimento pois há 1 dia começou a apresentar turvação visual e edema em membros inferiores. Ao exame físico, além do edema, PA: 150x100mmHg, FC: 82bpm, mucosas normocoradas. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Exame obstétrico: altura uterina: 33cm, apresentação cefálica, batimentos cardíacos fetais: 148bpm, dinâmica uterina ausente, tônus uterino normal. Ao toque vaginal: colo fechado, grosso, posterior.Com base no quadro clínico descrito e nos seus conhecimentos sobre hipertensão, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Paciente que apresenta hipertensão crônica fora da gestação e que está bem controlada com medicações não apresenta risco aumentado de evoluir para pré-eclâmpsia quando gestante.
  2. B) O cálcio é uma medicação utilizada na prevenção de pré-eclâmpsia em pacientes previamente hipertensas.
  3. C) Quando a paciente evolui com hipertensão gestacional o uso de Captopril é uma opção.
  4. D) A mola hidatiforme é uma patologia associada à pré-eclâmpsia de início tardio.

Pérola Clínica

Cálcio (1,5-2g/dia) previne pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco com baixa ingestão dietética.

Resumo-Chave

A prevenção da pré-eclâmpsia em grupos de risco envolve o uso de AAS e suplementação de cálcio, especialmente em populações com baixa ingestão basal deste mineral.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia permanece uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no mundo. Sua fisiopatologia envolve uma placentação anômala com estresse oxidativo e disfunção endotelial sistêmica. A identificação precoce de fatores de risco (como hipertensão crônica, nuliparidade, obesidade ou história prévia) permite a implementação de medidas profiláticas baseadas em evidências. Além do cálcio, o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) em baixas doses (100-150mg) iniciado antes de 16 semanas é fundamental para reduzir a incidência da forma pré-termo da doença. O manejo da hipertensão crônica pré-existente deve ser feito com drogas seguras como Metildopa, Hidralazina ou Nifedipina, evitando-se o uso de diuréticos e bloqueadores do sistema renina-angiotensina.

Perguntas Frequentes

Quais gestantes se beneficiam da suplementação de cálcio?

A suplementação de cálcio (1,5 a 2,0 g/dia) é recomendada para gestantes com alto risco de desenvolver pré-eclâmpsia, especialmente aquelas que residem em áreas ou pertencem a grupos com baixa ingestão dietética de cálcio (menos de 600 mg/dia). O cálcio atua reduzindo a reatividade vascular e a liberação de paratormônio, o que pode mitigar o aumento da pressão arterial. É uma estratégia de saúde pública eficaz e de baixo custo para redução de morbidade materna.

Por que o Captopril é contraindicado na gestação?

O Captopril, assim como outros Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) e os Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina (BRA), é contraindicado em qualquer fase da gestação. No primeiro trimestre, há risco de malformações cardiovasculares e do sistema nervoso central. No segundo e terceiro trimestres, causam toxicidade fetal grave, incluindo oligodramnia, hipoplasia pulmonar, insuficiência renal fetal e defeitos de ossificação do crânio.

Qual a relação entre mola hidatiforme e pré-eclâmpsia?

A mola hidatiforme (doença trofoblástica gestacional) está classicamente associada ao desenvolvimento de pré-eclâmpsia de início precoce, ocorrendo frequentemente antes de 20 semanas de gestação. Quando uma paciente apresenta sinais de pré-eclâmpsia no primeiro ou início do segundo trimestre, a hipótese de gestação molar deve ser sempre investigada através de ultrassonografia e níveis de beta-hCG, pois a pré-eclâmpsia 'comum' costuma surgir após as 20 semanas.

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