HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
As doenças hipertensivas representam a segunda causa de mortalidade materna obstétrica direta no mundo e, no Brasil, a hipertensão é a principal causa de óbitos maternos por complicações obstétricas. Por esse motivo é importante saber diagnosticar de forma adequada essa doença. Nesse quadro, assinale a alternativa correta com relação à pré-eclâmpsia.
Pré-eclâmpsia = PA ≥ 140/90 + Proteinúria ou disfunção orgânica. Ácido úrico ↑ = Pior prognóstico.
O diagnóstico de pré-eclâmpsia não exige mais obrigatoriamente a proteinúria se houver lesão de órgão-alvo. O ácido úrico elevado reflete disfunção renal e estresse oxidativo, servindo como marcador prognóstico.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica decorrente de uma placentação anômala que gera isquemia placentária e liberação de fatores antiangiogênicos na circulação materna, levando à disfunção endotelial generalizada. É a principal causa de morte materna no Brasil. O manejo envolve o controle pressórico para evitar AVC, a profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio e a interrupção da gestação no momento oportuno, considerando a idade gestacional e a estabilidade materno-fetal. O ácido úrico permanece como um marcador laboratorial clássico de disfunção renal incipiente e gravidade clínica.
A pré-eclâmpsia é definida como hipertensão (PA sistólica ≥ 140 mmHg ou diastólica ≥ 90 mmHg) surgindo após a 20ª semana de gestação em mulher previamente normotensa, associada a proteinúria (≥ 300mg/24h ou relação P/C ≥ 0,3). Na ausência de proteinúria, o diagnóstico pode ser feito se houver disfunção de órgãos-alvo: trombocitopenia (< 100.000), disfunção hepática (transaminases 2x o normal), insuficiência renal (Cr > 1,1), edema agudo de pulmão ou sintomas visuais/cerebrais (cefaleia, escotomas). O edema isolado foi removido dos critérios diagnósticos por sua baixa especificidade, já que ocorre em muitas gestações normais.
O ácido úrico é um marcador de gravidade e prognóstico na pré-eclâmpsia. Níveis elevados (geralmente > 6,0 mg/dL) estão associados a um maior risco de complicações maternas e fetais, como restrição de crescimento intrauterino e parto prematuro. Ele reflete a redução do fluxo plasmático renal e da filtração glomerular, além de estar envolvido na fisiopatologia do estresse oxidativo e disfunção endotelial. Níveis elevados correlacionam-se com maior risco de síndrome HELLP e descolamento prematuro de placenta, sendo uma ferramenta valiosa para a estratificação de risco materno-fetal quando os critérios de proteinúria são limítrofes.
O sulfato de magnésio é a droga de escolha para a prevenção e tratamento das convulsões da eclâmpsia. Ele atua como bloqueador dos receptores NMDA e canais de cálcio no sistema nervoso central, promovendo neuroproteção e elevando o limiar convulsivo. É fundamental compreender que o sulfato de magnésio NÃO é um anti-hipertensivo; o controle da pressão arterial deve ser feito com hidralazina, labetalol ou nifedipina quando os níveis atingem níveis de crise hipertensiva (≥ 160/110 mmHg). Durante a administração, a monitorização rigorosa da diurese, reflexos e frequência respiratória é obrigatória para evitar toxicidade.
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