Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025
Primigesta, 35 semanas, em uso de metildopa 1 g/dia, comparece à consulta do prénatal de rotina com os seguintes exames: Hemoglobina: 11,8 g/dL; Plaquetas: 259.000/mm³; Creatinina: 0,5 mg/dL; DHL: 183 U/L; TGO: 42 U/L; TGP: 39 U/L; Proteinúria/24h 358 mg/24h. Ultrassonografia obstétrica normal. Controles pressóricos entre 120 ×80 e 110 × 70 mmHg. O diagnóstico e a conduta são, respectivamente:
Proteinúria >300mg/24h após 20 sem em gestante hipertensa = Pré-eclâmpsia. Sem critérios de gravidade, monitorar e programar resolução.
A presença de proteinúria significativa (>300mg/24h) após 20 semanas de gestação em uma paciente com hipertensão crônica (ou gestacional) define pré-eclâmpsia. Como não há sinais de gravidade (PA controlada, exames laboratoriais normais), a conduta é monitoramento e programação da resolução da gestação em torno de 37-38 semanas, não antes, a menos que haja piora.
A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, caracterizada por hipertensão de início recente e proteinúria após 20 semanas de gestação. Pode se manifestar como pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica, como no caso da questão, onde uma gestante previamente hipertensa desenvolve proteinúria. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para otimizar os desfechos. O diagnóstico baseia-se na elevação da pressão arterial e na presença de proteinúria significativa. É fundamental diferenciar a pré-eclâmpsia da hipertensão gestacional (hipertensão sem proteinúria) e da hipertensão crônica. A avaliação laboratorial inclui hemograma, plaquetas, função renal (creatinina), função hepática (TGO/TGP) e LDH para descartar sinais de gravidade ou síndrome HELLP. A ausência de disfunção orgânica e a pressão arterial controlada classificam o caso como pré-eclâmpsia não grave. O manejo da pré-eclâmpsia depende da idade gestacional e da gravidade. Em casos de pré-eclâmpsia não grave, especialmente próximo ao termo (37 semanas), a resolução da gestação é a conduta definitiva. Antes disso, o manejo expectante com monitoramento rigoroso materno e fetal pode ser considerado, visando prolongar a gestação para otimizar a maturidade fetal, desde que não haja piora do quadro materno ou fetal. A metildopa é um anti-hipertensivo seguro na gestação.
O diagnóstico de pré-eclâmpsia requer hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões com 4h de intervalo, ou ≥ 160/110 mmHg em uma ocasião) após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria (≥ 300 mg/24h, relação proteína/creatinina ≥ 0,3, ou fita reagente ≥ 2+).
A pré-eclâmpsia é grave na presença de PA ≥ 160/110 mmHg, plaquetas < 100.000/mm³, creatinina sérica > 1,1 mg/dL ou duplicação, enzimas hepáticas elevadas (2x normal), edema pulmonar, sintomas neurológicos ou visuais. A conduta geralmente envolve internação e resolução da gestação, dependendo da idade gestacional e estabilidade materna/fetal.
Para pré-eclâmpsia não grave em gestações a partir de 37 semanas, a conduta é a resolução da gestação. Entre 34 e 37 semanas, pode-se considerar o manejo expectante com monitoramento rigoroso, mas a resolução é frequentemente indicada para evitar complicações.
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