Pré-eclâmpsia e Hipertensão Gestacional: Diagnóstico Diferencial

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2023

Enunciado

A pré-eclâmpsia aumenta os riscos de morte materna e perinatal, sendo responsável pelo aumento na incidência da prematuridade. Com relação a pré-eclâmpsia, assinale a alternativa incorreta.

Alternativas

  1. A) A pré-eclâmpsia é uma doença progressiva, multissistêmica, caracterizada pelo início de hipertensão e proteinúria ou início de hipertensão e disfunção significativa de órgãos-alvo, com ou sem proteinúria, na última metade da gravidez ou pós-parto.
  2. B) A hipertensão gestacional verdadeira deve se resolver até o parto. Se persistir pós-parto, o diagnóstico é ""revisado"" para hipertensão crônica que foi mascarada pela diminuição fisiológica da pressão arterial que ocorre no início da gravidez.
  3. C) A pré-eclâmpsia é causada por disfunção vascular placentária e materna e se resolve após o nascimento em um período de tempo variável.
  4. D) A síndrome HELLP (hemólise, elevação das enzimas hepáticas, plaquetas baixas), provavelmente representa um tipo de pré-eclâmpsia com características graves.

Pérola Clínica

Hipertensão gestacional pode persistir até 12 semanas pós-parto antes de virar crônica.

Resumo-Chave

A hipertensão gestacional é definida pelo surgimento após 20 semanas e resolução até 12 semanas pós-parto; a persistência além disso confirma hipertensão crônica.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia continua sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no mundo. Sua patogênese está ligada a uma placentação anômala com falha na invasão trofoblástica das artérias espirais, gerando isquemia placentária e liberação de fatores antiangiogênicos na circulação materna. Isso resulta em disfunção endotelial sistêmica. O manejo envolve controle pressórico, prevenção de crises convulsivas com sulfato de magnésio e a decisão do momento oportuno para o parto, equilibrando os riscos maternos e a prematuridade fetal.

Perguntas Frequentes

Qual a definição atual de pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é definida como o surgimento de hipertensão arterial (PAS ≥ 140 mmHg ou PAD ≥ 90 mmHg) após a 20ª semana de gestação em mulheres previamente normotensas, associada a proteinúria significativa (≥ 300mg em 24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3). Na ausência de proteinúria, o diagnóstico pode ser firmado se houver disfunção de órgãos-alvo, como trombocitopenia, insuficiência renal, disfunção hepática, edema agudo de pulmão ou sintomas visuais/cerebrais.

Como diferenciar hipertensão gestacional de hipertensão crônica?

A hipertensão crônica está presente antes da gravidez ou é diagnosticada antes de 20 semanas de gestação. A hipertensão gestacional surge após 20 semanas sem sinais de pré-eclâmpsia. O ponto crucial é o pós-parto: a hipertensão gestacional deve normalizar em até 12 semanas. Se os níveis pressóricos permanecerem elevados após esse período, o diagnóstico é reclassificado como hipertensão arterial crônica.

O que caracteriza a Síndrome HELLP?

A Síndrome HELLP é uma complicação grave do espectro da pré-eclâmpsia caracterizada por Hemólise (esquizócitos no esfregaço, LDH > 600 U/L), Elevação de enzimas hepáticas (TGO/AST ≥ 70 U/L) e Baixas plaquetas (< 100.000/mm³). Ela representa um estado de microangiopatia trombótica e inflamação sistêmica, exigindo manejo intensivo e, frequentemente, a interrupção da gestação dependendo da idade gestacional e estabilidade materna.

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