Pré-eclâmpsia: Diagnóstico e Sinais de Alerta na Gestação

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente primigesta de 32 anos, previamente hígida, pré-natal sem intercorrências até o momento, com 28 semanas de gestação, procura atendimento em uma unidade de pronto atendimento referindo cefaleia intensa, dor abdominal difusa e edema em membros inferiores. Ao realizar a medida da pressão arterial, constata-se um valor de 160/100 mmHg. Com base nos dados apresentados podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) a paciente apresenta um quadro de síndrome HELLP.
  2. B) a paciente apresenta um quadro de pré-eclâmpsia.
  3. C) a paciente apresenta um quadro de hipertensão gestacional.
  4. D) a paciente apresenta um quadro de hipertensão arterial crônica.

Pérola Clínica

Gestante > 20 semanas com PA ≥ 140/90 mmHg + proteinúria ou disfunção de órgão-alvo = Pré-eclâmpsia. Cefaleia, dor abdominal e edema são sinais de alerta.

Resumo-Chave

A pré-eclâmpsia é uma condição grave da gravidez, caracterizada por hipertensão de início após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria ou disfunção de órgão-alvo. Os sintomas apresentados pela paciente (cefaleia intensa, dor abdominal difusa e edema em membros inferiores) são sinais de alerta que indicam gravidade e a necessidade de avaliação e manejo imediatos, confirmando o quadro de pré-eclâmpsia.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, afetando cerca de 2-8% das gestações. É uma síndrome multissistêmica de etiologia complexa, caracterizada por hipertensão de início após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria ou a sinais de disfunção de órgão-alvo. A compreensão e o reconhecimento precoce desta condição são cruciais para a segurança da gestante e do feto, sendo um tópico de extrema importância para residentes em obstetrícia e medicina de emergência. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve uma placentação anormal, levando à disfunção endotelial sistêmica, vasoconstrição e ativação inflamatória. Os sintomas como cefaleia intensa, dor abdominal difusa e edema em membros inferiores, juntamente com a pressão arterial elevada (160/100 mmHg), são indicativos de um quadro de pré-eclâmpsia, possivelmente com características de gravidade. A presença desses sintomas sugere comprometimento de múltiplos sistemas, como o sistema nervoso central (cefaleia) e o sistema gastrointestinal/hepático (dor abdominal), além do edema que reflete a disfunção endotelial e extravasamento capilar. O manejo da pré-eclâmpsia visa prevenir complicações maternas e fetais, sendo a única cura definitiva o parto. A conduta inclui monitorização rigorosa da pressão arterial, avaliação laboratorial para disfunção de órgãos, e, em casos de pré-eclâmpsia grave, o uso de sulfato de magnésio para prevenção de convulsões (eclâmpsia) e anti-hipertensivos. Para residentes, é fundamental saber diferenciar a pré-eclâmpsia da hipertensão gestacional e da hipertensão arterial crônica, bem como identificar os sinais de gravidade que demandam intervenção imediata e considerar a Síndrome HELLP como uma complicação grave da pré-eclâmpsia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é diagnosticada pela presença de hipertensão (pressão arterial ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões, com 4 horas de intervalo) após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria (≥ 300 mg em 24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3) ou, na ausência de proteinúria, a sinais de disfunção de órgão-alvo.

Quais são os sinais de disfunção de órgão-alvo na pré-eclâmpsia?

Os sinais de disfunção de órgão-alvo incluem plaquetopenia (< 100.000/μL), insuficiência renal (creatinina sérica > 1,1 mg/dL ou duplicação da creatinina basal), disfunção hepática (elevação de transaminases duas vezes o valor normal), edema pulmonar, sintomas cerebrais (cefaleia persistente, distúrbios visuais) ou outras manifestações neurológicas.

Como diferenciar hipertensão gestacional de pré-eclâmpsia?

A hipertensão gestacional é definida pela hipertensão de início após 20 semanas de gestação sem proteinúria ou sinais de disfunção de órgão-alvo. A pré-eclâmpsia, por sua vez, adiciona a presença de proteinúria ou disfunção de órgão-alvo à hipertensão gestacional, indicando uma condição mais grave e com maior risco de complicações.

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