Critérios Diagnósticos de Pré-eclâmpsia sem Proteinúria

HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2020

Enunciado

Uma gestante de 26 anos de idade, primípara, iniciou acompanhamento pré-natal já com trinta e duas semanas de gestação. Negou quaisquer diagnósticos prévios e uso contínuo de medicações. A primeira avaliação médico evidenciou pressão arterial de 150/90 mmHg. Foram solicitados exames complementares. Na segunda avaliação, já com 35 semanas de gestação, a pressão arterial da paciente foi aferida em 160/100 mmHg e os exames laboratoriais evidenciaram creatinina: 1,3 mg/dl e plaquetas: 95.000. Não foi evidenciado proteinúria. Com base nesse caso hipotético, julgue o item a seguir. A paciente não tem critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia, pois não foi evidenciada proteinúria.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia = PA ≥ 140/90 + Proteinúria OU Disfunção de Órgão-Alvo (Plaquetas < 100k, Cr > 1.1).

Resumo-Chave

A ausência de proteinúria não exclui pré-eclâmpsia se houver evidência de lesão de órgão-alvo, como trombocitopenia, disfunção renal ou hepática.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica caracterizada por disfunção endotelial generalizada. Historicamente, a proteinúria era considerada essencial, mas as diretrizes modernas (ACOG e FEBRASGO) reconhecem que a doença pode se manifestar como uma disfunção de múltiplos órgãos antes que a lesão glomerular resulte em proteinúria detectável. No caso clínico apresentado, a paciente possui hipertensão (160/100 mmHg), trombocitopenia (95.000) e creatinina elevada (1,3 mg/dL), o que preenche múltiplos critérios para pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, tornando a afirmação de que ela não tem a doença (por falta de proteinúria) incorreta.

Perguntas Frequentes

A proteinúria é obrigatória para o diagnóstico de pré-eclâmpsia?

Não. Embora a proteinúria (≥ 300 mg em 24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3) seja o critério clássico, a pré-eclâmpsia pode ser diagnosticada na sua ausência se houver hipertensão de início recente (após 20 semanas) associada a qualquer um dos seguintes sinais de disfunção orgânica: trombocitopenia (< 100.000/mm³), insuficiência renal (creatinina > 1,1 mg/dL), disfunção hepática (transaminases 2x o normal), edema agudo de pulmão ou sintomas cerebrais/visuais (cefaleia persistente, escotomas).

Qual o valor de corte da creatinina na gestação para pré-eclâmpsia?

O valor de corte é creatinina sérica > 1,1 mg/dL ou a duplicação da concentração de creatinina sérica na ausência de outra doença renal. É importante notar que, devido ao aumento fisiológico da taxa de filtração glomerular na gravidez, níveis de creatinina que seriam normais em adultos não gestantes (ex: 1,0 mg/dL) podem representar disfunção renal significativa em uma gestante.

Como diferenciar hipertensão gestacional de pré-eclâmpsia?

A hipertensão gestacional é definida como hipertensão arterial (PA ≥ 140/90 mmHg) que surge após a 20ª semana de gestação em uma mulher previamente normotensa, mas sem proteinúria e sem sinais de disfunção sistêmica de órgão-alvo. Se a paciente apresentar qualquer critério de gravidade laboratorial ou clínico (como plaquetopenia ou cefaleia), o diagnóstico passa a ser pré-eclâmpsia, independentemente da proteinúria.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo