Conduta na Pré-eclâmpsia: Diagnóstico e Estadiamento

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Patrícia, uma primigesta de 24 anos, com idade gestacional de 33 semanas confirmada por ultrassonografia de primeiro trimestre, comparece à consulta de pré-natal de rotina. Ela está assintomática, mas relata que notou um inchaço mais persistente nos pés nos últimos dias. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, corada e hidratada. Sua pressão arterial, aferida após 15 minutos de repouso e confirmada após 4 horas, é de 150 x 95 mmHg. A altura uterina é compatível com a idade gestacional e os batimentos cardiofetais estão em 144 bpm, com boa movimentação fetal referida. O exame de urina tipo 1 (fita reagente) realizado no consultório revelou proteinúria de uma cruz (1+). Diante desse quadro clínico inicial, a conduta mais adequada para o caso é:

Alternativas

  1. A) Orientar repouso absoluto no leito em domicílio e dieta hipossódica rigorosa para controle dos níveis pressóricos.
  2. B) Prescrever sulfato de magnésio venoso em esquema de ataque e manutenção, seguido de indução do parto.
  3. C) Internar a paciente para realização de exames laboratoriais de estadiamento e avaliação da vitalidade fetal.
  4. D) Iniciar imediatamente alfametildopa 250 mg de 8 em 8 horas e reavaliar a paciente em uma semana no ambulatório.

Pérola Clínica

PA ≥ 140/90 + proteinúria após 20 sem = Pré-eclâmpsia → Internar para estadiamento e avaliação fetal.

Resumo-Chave

A identificação de hipertensão e proteinúria em gestante após a 20ª semana exige internação imediata para avaliar a gravidade materna (exames laboratoriais) e o bem-estar fetal, visando prevenir complicações graves.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica decorrente de uma placentação anômala, resultando em disfunção endotelial generalizada. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no Brasil. O manejo depende da idade gestacional e da presença de sinais de gravidade. Em gestações pré-termo (como o caso de 33 semanas), a conduta conservadora pode ser tentada se não houver critérios de gravidade, mas sempre após uma avaliação hospitalar rigorosa que garanta a segurança da mãe e do feto.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é definida pela ocorrência de hipertensão arterial (PA sistólica ≥ 140 mmHg ou diastólica ≥ 90 mmHg em duas aferições com intervalo de 4 horas) após a 20ª semana de gestação em mulheres previamente normotensas, associada à proteinúria significativa (≥ 300 mg em urina de 24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3). Na ausência de proteinúria, o diagnóstico pode ser feito se houver disfunção orgânica materna (trombocitopenia, insuficiência renal, disfunção hepática, sintomas neurológicos ou edema pulmonar).

Por que internar uma paciente com pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade?

A internação inicial é recomendada para realizar o estadiamento rápido da doença. Isso inclui a coleta de exames laboratoriais (hemograma, creatinina, enzimas hepáticas, ácido úrico, proteinúria de 24h ou relação P/C) e a avaliação da vitalidade fetal (cardiotocografia, perfil biofísico fetal e Doppler). Como a pré-eclâmpsia é uma doença progressiva e potencialmente imprevisível, a observação hospitalar permite identificar precocemente sinais de piora clínica ou sofrimento fetal que indiquem a necessidade de parto.

Quando iniciar terapia anti-hipertensiva na pré-eclâmpsia?

O tratamento medicamentoso anti-hipertensivo está indicado apenas quando os níveis pressóricos atingem valores de gravidade (PA sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg), visando reduzir o risco de acidente vascular cerebral materno. Para níveis pressóricos entre 140/90 e 150/100 mmHg, o foco é o monitoramento e o estadiamento, pois o uso de anti-hipertensivos não previne a progressão da doença nem melhora o desfecho perinatal nestes casos.

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