Pré-eclâmpsia e Diástole Zero: Conduta na Gestação

FESF-SUS - Fundação Estatal Saúde da Família (BA) — Prova 2021

Enunciado

Lucília, gestante de 36 semanas de idade gestacional, secundigesta e primípara, vai em consulta de rotina pré-natal. Ao exame, PA: 145x90 mmHg; Altura uterina: 26 cm; BCF: 140 bpm. Foi realizado Perfil Biofísico Fetal, que evidenciou Doppler de artéria umbilical com diástole zero. Considerando esse caso clínico, a conduta mais adequada é

Alternativas

  1. A) realizar Doppler de ducto venoso.
  2. B) indicar resolução imediata da gestação.
  3. C) realizar perfil biofísico fetal duas vezes por semana até o parto.
  4. D) prescrever betametasona e retorno semanal para cardiotocografia até o parto.
  5. E) repouso em casa em decúbito lateral esquerdo e retorno para reavaliação em dois dias. 

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia + Doppler umbilical com diástole zero → indicação de resolução imediata da gestação.

Resumo-Chave

A presença de diástole zero na artéria umbilical em uma gestante com pré-eclâmpsia e idade gestacional de 36 semanas indica um comprometimento grave da perfusão placentária e risco iminente de sofrimento fetal, justificando a interrupção imediata da gestação para evitar desfechos adversos.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma condição hipertensiva da gestação que pode levar a complicações graves para a mãe e o feto. A avaliação da vitalidade fetal é crucial nesses casos, e o Doppler da artéria umbilical é uma ferramenta essencial para monitorar a função placentária. Alterações no fluxo da artéria umbilical, como a diástole zero ou reversa, indicam um comprometimento significativo da perfusão placentária, refletindo um aumento da resistência vascular na circulação fetal. A diástole zero na artéria umbilical significa que não há fluxo sanguíneo para o feto durante a diástole, indicando uma insuficiência placentária grave. Quando essa alteração é detectada em uma gestação com pré-eclâmpsia, especialmente em idades gestacionais mais avançadas (a partir de 34-36 semanas), o risco de sofrimento fetal agudo, acidose e óbito fetal aumenta exponencialmente. Nesses casos, a gestação já atingiu uma idade em que os riscos de prematuridade são menores do que os riscos de manter o feto em um ambiente intrauterino hostil. Portanto, a conduta mais adequada diante de uma gestante com pré-eclâmpsia e Doppler de artéria umbilical com diástole zero, especialmente a partir de 34 semanas, é a resolução imediata da gestação. Essa decisão visa evitar a progressão do sofrimento fetal e melhorar os desfechos neonatais, superando os potenciais benefícios de prolongar a gestação para a maturação pulmonar, que já estaria bem avançada em 36 semanas.

Perguntas Frequentes

Qual a implicação da diástole zero na artéria umbilical em uma gestação com pré-eclâmpsia?

A diástole zero na artéria umbilical indica um aumento significativo da resistência vascular placentária, comprometendo o fluxo sanguíneo para o feto. Em casos de pré-eclâmpsia, isso sinaliza um risco elevado de hipóxia fetal, acidose e restrição de crescimento.

Por que a resolução imediata da gestação é a conduta mais adequada neste cenário?

A diástole zero, especialmente em gestações a termo ou próximo ao termo (como 36 semanas), é um sinal de sofrimento fetal crônico grave e iminente descompensação, tornando a interrupção da gestação a medida mais segura para o feto.

Quais outros achados no Doppler de artéria umbilical indicam gravidade?

Além da diástole zero, a diástole reversa na artéria umbilical é um sinal ainda mais grave de insuficiência placentária, associada a um risco muito elevado de morbimortalidade perinatal e que também exige resolução imediata da gestação.

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