MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma gestante de 28 anos, primigesta, comparece à consulta de pré-natal com 13 semanas de idade gestacional. Ela nega comorbidades prévias, mas relata que sua mãe teve pré-eclâmpsia grave em todas as gestações. Ao exame físico, apresenta índice de massa corporal (IMC) de 32 kg/m² e pressão arterial de 132x84 mmHg, confirmada após repouso. O ultrassom morfológico de primeiro trimestre, realizado no mesmo dia, demonstrou feto com vitalidade preservada e o Doppler de artérias uterinas revelou um índice de pulsatilidade (IP) médio acima do percentil 95 para a idade gestacional, com presença de incisura protodiastólica bilateral. Diante desse quadro e considerando a propedêutica de rastreamento no pré-natal, a conduta mais adequada é:
Risco ↑ Pré-eclâmpsia (História + IMC + Doppler alterado) → AAS 150mg + Cálcio 1,5g antes de 16 sem.
O rastreamento combinado de pré-eclâmpsia no 1º trimestre identifica gestantes de alto risco que se beneficiam da profilaxia com AAS e Cálcio para reduzir desfechos adversos.
A pré-eclâmpsia continua sendo uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no mundo. A identificação precoce de gestantes de alto risco é crucial. O rastreamento atual baseia-se em uma combinação de fatores maternos (história familiar, IMC elevado, nuliparidade), pressão arterial média e marcadores biofísicos (Doppler de artérias uterinas). A fisiopatologia envolve uma falha na segunda onda de invasão trofoblástica, resultando em artérias espiraladas de alta resistência. A intervenção farmacológica com AAS deve ser iniciada idealmente entre 12 e 16 semanas para otimizar a placentação. A suplementação de cálcio complementa essa estratégia, especialmente em populações com deficiência nutricional, agindo sinergicamente na estabilização vascular.
Estudos recentes, como o ensaio ASPRE, demonstram que a dose de 150 mg/dia de Ácido Acetilsalicílico (AAS), administrada preferencialmente à noite, é mais eficaz que doses menores (como 60-100 mg) na redução da pré-eclâmpsia pré-termo em gestantes de alto risco.
No primeiro trimestre (11 a 13 semanas e 6 dias), o Doppler é considerado alterado quando o Índice de Pulsatilidade (IP) médio das artérias uterinas está acima do percentil 95 para a idade gestacional. A presença de incisura protodiastólica bilateral também é um marcador de resistência aumentada, embora o IP seja mais fidedigno.
A suplementação de cálcio (1,5 a 2,0 g/dia) é recomendada para gestantes com baixa ingestão dietética de cálcio, pois reduz o risco de pré-eclâmpsia. O cálcio atua reduzindo a liberação de paratormônio e o cálcio intracelular, o que diminui a reatividade da musculatura lisa vascular e a pressão arterial.
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